MELBOURNE, Austrália – A polícia de Victoria apura, desde a última terça-feira (14), uma denúncia de agressão sexual atribuída à cantora Katy Perry e feita pela atriz Ruby Rose. O episódio, que teria ocorrido em 2010 dentro de uma casa noturna da cidade, volta a ganhar força quase 20 anos depois e pressiona a indústria do entretenimento a rever protocolos de prevenção a abusos.
- Em resumo: Ruby Rose levou às autoridades australianas a acusação que havia divulgado e apagado das redes.
Como a denúncia tomou forma
A intérprete de “Orange is the New Black” afirmou on-line que Perry, hoje ligada sentimentalmente ao ex-primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, teria passado dos limites em uma festa. Na sequência, removeu as publicações, mas protocolou a queixa formalmente na polícia, que confirma “uma investigação em curso sobre agressão sexual ocorrida em 2010”.
Em nota à revista Variety, a equipe de Katy Perry refutou “categoricamente” o relato e classificou as alegações como “perigosas e imprudentes”. A defesa ainda mencionou anteriores controvérsias públicas de Rose.
“As acusações que Ruby Rose divulga nas redes sociais sobre Katy Perry não são apenas categoricamente falsas, como também são mentiras perigosas e imprudentes”, declarou o representante da cantora.
Por que o caso vai além das celebridades
Denúncias tardias são comuns: apenas 7,2% dos casos de violência sexual no Brasil chegam a investigação policial, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Especialistas explicam que medo de retaliações e receio de não serem levados a sério retardam a procura por justiça — dinâmica que, agora, também se reflete em Hollywood.

Nos Estados Unidos, onde Perry construiu carreira, acusações semelhantes já derrubaram produtores e atores influentes após o movimento #MeToo. Na Austrália, o sistema judicial prevê penas que variam de multas pesadas a prisão para crimes desse tipo, e a repercussão internacional pode acelerar decisões judiciais ou acordos extrajudiciais.
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