Álbum que rotulou Elis Regina de ‘fria’ renasce remixado
Rio de Janeiro (RJ) – No dia em que completaria 81 anos, Elis Regina tem o controverso álbum “Elis” (1973) reapresentado pela Universal Music em versão remixada e remasterizada que promete acabar com o “áudio estranho” que incomodava fãs há meio século.
- Em resumo: Disco ganha nova mixagem após dois anos de trabalho liderado pelo filho de Elis.
Por que voltar às fitas originais agora?
A ideia partiu de João Marcelo Bôscoli, primogênito da cantora, que abriu os oito canais analógicos para isolar vazamentos de bateria no piano e equalizar frequências perdidas. Segundo o engenheiro de som Ricardo Camera, a meta foi oferecer ao streaming uma qualidade comparável à de gravações atuais; hoje, 84% do consumo musical no Brasil ocorre nessas plataformas, de acordo com o IFPI.
A revisão também corrige críticas históricas à sonoridade “cool” que, nos anos 1970, levou parte da imprensa a classificar Elis como “técnica e fria”. A nova master se aproxima, diz Bôscoli, do que seria registrado “se os mesmos músicos estivessem num estúdio de 2026”.
“Sempre achei o áudio desse álbum muito estranho, e muitos fãs me diziam o mesmo”, admite João Marcelo Bôscoli.
O que muda para o ouvinte e para o legado da cantora
Além de limpar ruídos, a edição realça arranjos de Cesar Camargo Mariano e torna mais nítidas as quatro faixas de Gilberto Gil e as quatro de João Bosco & Aldir Blanc que dominam o repertório. O selo prevê prensagem em vinil para o fim de 2026, aposta que dialoga com a alta de 29% nas vendas de LPs no país em 2025, segundo o IFPI.

A reedição também reabre debate sobre o episódio em que “Folhas Secas” – samba destinado a Beth Carvalho – foi parar no disco de Elis, fato já assumido pelo produtor Roberto Menescal. Para estudiosos, o relançamento ajuda a contextualizar polêmicas e reforça a relevância da intérprete mais de quatro décadas após sua morte, ocorrida em 1982.
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Crédito da imagem: Divulgação
