Alerta dos EUA: PCC e CV no radar, sem selo terrorista
Washington, D.C. – Em nota enviada à imprensa, o Departamento de Estado norte-americano classificou as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “ameaças significativas” à segurança regional, mas evitou incluí-las na lista oficial de organizações terroristas, decisão que mantém em suspense as relações diplomáticas entre Brasília e Washington.
- Em resumo: EUA pressionam, mas ainda não carimbam PCC e CV como terroristas, abrindo jogo de xadrez diplomático para Lula.
Como o alerta dos EUA afeta o Brasil
O sinal amarelo acendeu no Palácio do Planalto: orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é reagir “com cautela” para não arranhar um possível encontro com Donald Trump previsto para abril. Segundo fontes diplomáticas, a designação de terrorismo poderia abrir brechas para sanções e até intervenções externas, algo que o governo quer evitar. Dados do Atlas da Violência 2023 apontam que facções organizadas estão ligadas a quase 30% dos 47 000 homicídios anuais no país.
Analistas lembram que, uma vez declaradas terroristas, as facções ficariam sujeitas a congelamento de bens em solo americano e restrições bancárias globais, instrumentos que já asfixiaram grupos como o Hezbollah e o Estado Islâmico.
“As organizações criminosas brasileiras representam risco significativo devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”, destacou o Departamento de Estado.
Diplomacia em jogo: Lula, Trump e a fronteira do crime
O chanceler Mauro Vieira discutiu o tema com o secretário de Estado Marco Rubio em reuniões recentes sobre cooperação antinarcóticos. Paralelamente, Lula abordou a questão com a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, sinalizando uma frente latino-americana contra o crime organizado.

Especialistas em segurança apontam que o PCC conta hoje com cerca de 30 000 integrantes e presença em 27 países, enquanto o CV controla rotas de cocaína no Norte e Nordeste. A eventual rotulagem como terrorista criaria um precedente histórico: seria a primeira vez que facções de origem brasileira entrariam na lista que já soma 69 Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês) desde 1997.
O que você acha? A classificação de grupos criminosos brasileiros como terroristas traria mais proteção ou tensão internacional? Para mais análises sobre segurança pública, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação
