Aliança de US$ 12 bi em minerais: Brasil impõe condição inédita
Washington, EUA – Em 4 de fevereiro de 2026, o vice-presidente norte-americano JD Vance apresentou a 55 países um bloco comercial de minerais críticos financiado com US$ 10 bilhões do Exim Bank e US$ 2 bilhões do setor privado. O Brasil participou apenas como observador e avisou que só topará aderir caso o acordo inclua plantas industriais em território nacional, repetindo a exigência defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “nada de ser mero exportador de minério”.
- Em resumo: Brasília só entra no consórcio se ganhar agregação de valor e tecnologia.
Por que o Brasil hesita diante do pacote americano
Segundo o Itamaraty, a decisão “não será tomada de forma célere” porque envolve soberania sobre reservas estratégicas como níquel, nióbio e as segundas maiores terras raras do planeta. A chancelaria avalia se negocia transferência de tecnologia, empregos e cadeia de refino antes de assinar qualquer protocolo.
Fontes do Planalto dizem que o tema tende a ser tratado diretamente por Lula em eventual viagem a Washington. A prioridade, explicam, é garantir que a exportação bruta de minério não repita o “modelo primário-exportador” que marcou o ciclo do ferro.
“Quem quiser nossos minerais vai ter que industrializar o nosso país”, reiterou Lula no Palácio do Planalto.
Potencial bilionário sob o solo brasileiro
Relatório do Instituto Brasileiro de Mineração mostra que apenas 3% das 21 milhões de toneladas brasileiras de terras raras estão em projetos ativos. Na prática, o país ainda importa 80% dos insumos para ímãs de motores elétricos, mesmo sendo dono da matéria-prima.
O impasse ganhou força depois que a China restringiu exportações de gálio e germânio em 2025, assustando montadoras dos EUA. De imediato, o governo norte-americano elevou a busca por parceiros capazes de diversificar o suprimento — daí a mesa com Coreia do Sul, Índia, Alemanha e Austrália.

Para analistas, a contraproposta do Brasil mira benefícios semelhantes aos conquistados no setor de petróleo com o conteúdo local: criar empregos de alta qualificação e escalar participação em uma cadeia global estimada em US$ 500 bilhões até 2030.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
