Álibi com live falsa cai e YouTuber é condenado por feminicídio
Lurgan, Irlanda do Norte – O criador de conteúdo Stephen McCullagh, 36, acreditou que uma “live” de jogos gravada quatro dias antes o livraria da culpa pelo assassinato da namorada grávida, Natalie McNally. A perícia mostrou o oposto e, após cinco semanas de julgamento, o júri o considerou culpado.
- Em resumo: gravação foi interrompida às 00h05, horário crítico em que o crime ocorreu.
Como o plano digital desmoronou
Horas antes do crime, McCullagh anunciou uma transmissão de seis horas para as 18h de 18 de dezembro de 2022. Na suposta live, ele jogava Grand Theft Auto e Robot Wars, bebia e usava vape, mas avisava que “problemas técnicos” impediam interação com o chat.
Especialistas em forense digital revelaram que o arquivo havia sido criado quatro dias antes e deletado logo após a meia-noite de 19 de dezembro. O horário coincide com a estimativa da polícia para o ataque em Silverwood Green. Segundo dados do Atlas da Violência, a quebra de álibis digitais tem sido decisiva em investigações de homicídios nos últimos anos.
“Preciso matar essa vadia, preciso acabar com ela”, canta McCullagh no vídeo enquanto realiza missão que prevê assassinar uma mulher no jogo.
Roteiro de terror fora da tela
Natalie, com 15 semanas de gestação, saiu da casa dos pais às 19h. Minutos depois, câmeras captaram McCullagh percorrendo 32 km de ônibus e caminhando mascarado até a residência dela. Entre 20h50 e 21h30, a jovem foi esfaqueada, estrangulada e golpeada na cabeça.
Após o crime, McCullagh ligou para o 999 chorando, encenou reanimação cardiopulmonar e acusou um ex-companheiro da vítima. Liberado inicialmente, posou de namorado enlutado: gravou vídeo-homenagem, frequentou o túmulo e chegou a deixar um celular escondido na casa da família para espioná-los.

Impacto e alertas para criadores de conteúdo
Casos como o de McCullagh expõem a fragilidade de álibis baseados em conteúdo pré-gravado. Ferramentas de metadados e cortes bruscos de streaming, hoje triviais, desmontam narrativas falsas em minutos. No Reino Unido, ONGs de direitos das mulheres apontam que um terço dos feminicídios é precedido por monitoramento digital.
No Brasil, a taxa de feminicídio subiu 6,1% em 2023, mostrando que a violência contra mulheres é um fenômeno global – e que a perícia eletrônica, cada vez mais, decide veredictos de courtrooms a tribunais do júri.
O que você acha? A polícia deve ampliar o uso de análises digitais em casos de violência doméstica? Para acompanhar outras coberturas internacionais, acesse nossa editoria Mundo.
Crédito da imagem: Divulgação / BBC
