Alta de 116% no café pressiona bolso e deve durar em 2026
Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) – O café liderou a inflação da cesta básica em 2025 e, apesar da expectativa de safra farta, a entidade prevê manutenção dos preços elevados ao longo de 2026, travando o alívio no orçamento das famílias.
- Em resumo: bebida encareceu 116% desde 2021 e estoques mundiais seguem em mínimo crítico.
Por que o preço não cede mesmo com safra maior?
Segundo a Abic, a colheita 2026 deve ir direto para recompor armazéns esvaziados após quatro anos de quebras climáticas. Isso limita a oferta efetiva nas gôndolas. Já o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos em 2025 turbinou a cotação do arábica na Bolsa de Nova York, referência internacional para o grão.
Dados do IBGE apontam que a cultura do café perdeu 7% de área plantada na última década, o que reduz ainda mais a capacidade de reação rápida da produção.
“Seriam necessárias ao menos duas safras cheias para que o consumidor veja diferença real no bolso”, alerta Pavel Cardoso, presidente da Abic.
Impacto no consumo e no varejo
O brasileiro, que consome em média 5,8 kg de café por habitante ao ano — o dobro da média global, segundo a Organização Internacional do Café — reduziu as compras em 2,31% em 2025. Mesmo assim, a indústria de torrado faturou R$ 46,24 bilhões, alta de 25,6% sobre 2024, puxada pelo repasse de custos.

Uma leve trégua apareceu em dezembro: a versão extraforte caiu 7,1% e as cápsulas, 13,2% frente a novembro. Analistas veem essas promoções como pontuais, sustentadas pelo câmbio favorável e acordos comerciais temporários.
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