Americanas busca sair da recuperação e deixar rombo de R$ 50 bi
RIO DE JANEIRO – A Americanas protocolou na 4ª Vara Empresarial o pedido para encerrar a recuperação judicial iniciada em janeiro de 2023, etapa que, se homologada, selará o fim do maior colapso corporativo já visto no varejo brasileiro.
- Em resumo: companhia afirma ter cumprido todas as exigências legais dois anos antes do limite previsto.
Por que a virada importa agora
O movimento chega depois de a varejista renegociar cerca de R$ 42 bilhões de dívidas concursais e receber um aporte de R$ 12 bilhões dos controladores. Dados do Banco Central indicam que pedidos de recuperação judicial no país cresceram 68% em 2023, o que torna a saída da Americanas um caso raro de reversão rápida.
Segundo especialistas, a homologação pode destravar acesso a crédito mais barato, vital para repor estoques e recuperar participação de mercado às vésperas de datas fortes do varejo.
“A primeira grande conclusão é que não estamos falando de um número que está fora do balanço”, declarou Sergio Rial logo após revelar o rombo contábil em 2023.
Fraude, derretimento das ações e novo foco
O escândalo veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando inconsistências contábeis estimadas em R$ 20 bilhões derrubaram as ações em quase 80% num único pregão. Ao todo, mais de R$ 50 bilhões em dívidas foram submetidas ao plano judicial.
Em paralelo, a varejista confirmou a venda da Uni.Co (Imaginarium e Puket) para a BandUP! por R$ 152,9 milhões, sinal de que a estratégia agora inclui enxugar operações e priorizar negócios de maior margem.

Levantamento da Serasa Experian mostra que, das empresas que concluem a recuperação, só 24% voltam a crescer no primeiro ano. O caso Americanas, portanto, servirá de termômetro para investidores sobre a eficácia do novo arcabouço de governança exigido pelo mercado.
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