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Argentina corta 28% das compras e trava fábricas brasileiras
São Paulo/SP – A indústria automotiva brasileira começou 2026 com o freio puxado: as exportações encolheram 28% no bimestre após a Argentina reduzir drasticamente suas importações, movimento que já força montadoras nacionais a desacelerar linhas de montagem.
- Em resumo: País vizinho, que absorvia 59% dos carros brasileiros, encolheu pedidos e derrubou a produção em quase 9%.
Por que Buenos Aires fechou a torneira?
A consultoria Abeceb aponta que a incerteza sobre a capacidade do governo Javier Milei de controlar a inflação e honrar a dívida externa esfriou o consumo interno. Segundo dados do IBGE, a Argentina é tradicionalmente o maior parceiro do Brasil no Mercosul e responde, sozinha, por cerca de US$ 8 bilhões anuais em veículos e autopeças.
Com o real mais caro e o peso desvalorizado, importar ficou proibitivo para montadoras argentinas, que reduziram a cadência de produção local – e, por consequência, a compra de componentes brasileiros.
Em fevereiro, as importações automotivas argentinas caíram US$ 284 milhões, ou 74% de toda a retração registrada no comércio bilateral.
Efeitos em cascata nas fábricas do Brasil
Entre janeiro e fevereiro, o Brasil fabricou 338 mil veículos, 8,9% a menos que em 2025. O baque foi sentido principalmente no segmento de caminhões, cuja demanda recuou 28,7%, apesar do programa federal Move Brasil oferecer juros subsidiados via BNDES.
Enquanto a Argentina desacelera, o México surgiu como alívio inesperado: as compras saltaram de 2,2 mil para 9,1 mil unidades no mês, mas ainda insuficientes para compensar o rombo no principal mercado.

Risco de cortes e corrida por novos destinos
Analistas lembram que, em 2012, situação semelhante resultou em férias coletivas e demissões. Para evitar repetir o cenário, montadoras negociam cotas adicionais no Acordo Brasil–México e buscam nichos na Colômbia e no Chile, mercados que já absorvem 50 mil unidades por ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Especialistas alertam, contudo, que a solução estrutural passa por diversificar a pauta exportadora e acelerar a produção de veículos híbridos – segmento cujo volume global deve triplicar até 2030, conforme projeção da Agência Internacional de Energia.
O que você acha? A dependência do mercado argentino é um risco inevitável ou falta estratégia de diversificação? Para mais análises do setor, acesse nossa editoria de Finanças.
Crédito da imagem: Divulgação
