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domingo, março 15, 2026

Argentina quer aval do Mercosul para acordos bilionários sem tarifa

Argentina quer aval do Mercosul para acordos bilionários sem tarifa

BUENOS AIRES – De olho em abrir frentes de negócios além do bloco, o governo argentino propôs, na última terça-feira (6), que o Mercosul libere seus membros para assinar acordos comerciais bilaterais sem necessidade de aval unânime. A medida, anunciada pelo chanceler Pablo Quirno, mira ampliar mercados e repetir, em outras parcerias, os cortes tarifários acertados com os Estados Unidos.

  • Em resumo: Argentina quer que “todos os acordos bilaterais sejam permitidos” dentro do Mercosul, abrindo caminho para zerar tarifas com parceiros como EUA e China.

Como ficaria o Mercosul sem a cláusula de consenso

Hoje, qualquer tratado externo precisa do sinal verde dos quatro sócios – Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. A flexibilização defendida por Quirno permitiria que cada país negociasse por conta própria, mantendo-se no bloco. Segundo dados de comércio exterior do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Mercosul responde por cerca de 9% das exportações globais argentinas; a expectativa é elevar essa fatia com novos parceiros.

Na prática, acordos individuais reduziriam prazos e poderiam incluir setores estratégicos ainda protegidos pelo bloco, como automóveis e lácteos.

“Todos os acordos bilaterais são permitidos dentro do Mercosul”, cravou o ministro Pablo Quirno, ao citar o pacto com Washington.

Quem ganha e quem perde com a mudança

No acerto recém-assinado com os EUA, a Argentina se comprometeu a cortar tarifas para milhares de produtos americanos, chegando a 0% ou, no máximo, 2%. Em troca, Washington retirará sobretaxas agrícolas e abrirá cotas sem imposto para 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos argentinos.

Para analistas, a aposta reduz a dependência de Buenos Aires do mercado brasileiro, mas também pressiona indústrias locais que competem com importados mais baratos. A possibilidade de firmar pactos similares com a China, por exemplo, reacende debates sobre a proteção do aço e do alumínio – temas que Milei e Donald Trump ainda negociam.

Apesar do avanço, o documento só entrará em vigor 60 dias após a troca de notificações legais. Caso o Mercosul aprove a flexibilização, tratativas individuais como essa se tornariam regra, podendo redesenhar a economia regional em poucos anos.

O que você acha? A abertura de negociações individuais fortalece ou ameaça a indústria brasileira? Para mais análises internacionais, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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