Até 60% do salário: ex-senador expõe fraude de consignado
Brasília/DF – Em sessão recente da CPI do Crime Organizado, o ex-governador de Mato Grosso e ex-senador Pedro Taques acusou instituições financeiras ligadas ao Banco Master de usarem margens de até 60% dos salários para empurrar empréstimos consignados a servidores estaduais, empurrando milhares ao superendividamento.
- Em resumo: Margem salarial inflada e juros acima do mercado teriam sido usados para atrair vítimas.
Como o esquema driblava a legislação
Segundo Taques, as financeiras alteravam o espaço de desconto autorizado na folha, burlando controles internos e induzindo o servidor a contrair dívidas que consumiam mais da metade do contracheque. Para especialistas, a prática viola princípios da Lei 14.181/21, do Superendividamento, que limita a 35% o comprometimento da renda.
Dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indicam que o crédito consignado já responde por 26% de todos os empréstimos de consumo no país, movimentando mais de meio trilhão de reais.
“Criaram uma margem artificial de 60%. É empurrar o servidor para o cheque especial eterno”, disparou Pedro Taques durante o depoimento.
Consequências para o bolso do servidor
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) comparou o caso aos ilícitos revelados pela CPMI do INSS, ressaltando que a combinação de margem inflada e juros de dois dígitos ao mês corrói a renda familiar e multiplica ações judiciais por danos morais.
Além do impacto direto no consumo, o superendividamento afeta a arrecadação dos estados. Economistas lembram que, quando o servidor reduz gastos, cai também a receita de ICMS, pressionando ainda mais o caixa público.
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