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quinta-feira, abril 2, 2026

Avanço do Pix ameaça bilhões de Visa e Mastercard, diz EUA

Avanço do Pix ameaça bilhões de Visa e Mastercard, diz EUA

Washington, EUA – Em relatório oficial divulgado na última quarta-feira (1º), o governo Donald Trump voltou a apontar o Pix como elo de “concorrência desleal” capaz de desequilibrar um mercado que movimenta bilhões para Visa, Mastercard e outras empresas de cartão de crédito norte-americanas.

  • Em resumo: Casa Branca vê tratamento “preferencial” do Banco Central ao Pix e fala em risco financeiro às fornecedoras dos EUA.

Por que o sistema brasileiro incomoda Washington

No documento, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos lamenta que o Banco Central “criou e regula” uma plataforma obrigatória para bancos com mais de 500 mil contas, o que, na visão norte-americana, inviabilizaria a competitividade de players estrangeiros.

O temor acontece no momento em que o Pix registra mais de 160 milhões de usuários e superou 26 bilhões de transações em 2025, segundo o painel estatístico do Banco Central.

“O Brasil parece favorecer serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, critica o relatório, reforçando que a prática colocaria empresas dos EUA em “desvantagem substancial”.

Impacto bilionário e jogo regulatório

A ofensiva não é isolada. Em julho de 2025, a gestão Trump já havia listado “serviços de pagamento eletrônico” entre as preocupações comerciais, sem citar o Pix diretamente. Agora, a menção é clara: a Casa Branca teme que o sistema instantâneo, gratuito para pessoas físicas, pressione as altas taxas de intercâmbio que sustentam o modelo de cartões.

Dados da consultoria McKinsey indicam que as tarifas cobradas por emissores norte-americanos chegaram a movimentar US$ 110 bilhões em 2025. Se o padrão brasileiro – taxa zero para transferência entre consumidores – ganhar força global, parte dessa receita pode evaporar.

Nos Estados Unidos, o FedNow, lançado em 2023 pelo Federal Reserve, ainda exibe adoção tímida: menos de 10% das instituições habilitadas oferecem o serviço de ponta a ponta. O contraste amplia a pressão para que Washington intervenha no tabuleiro internacional antes que o modelo brasileiro se torne referência.

O que está em jogo para o Brasil e para o bolso do consumidor

Analistas lembram que o próprio Brasil passou, em 2010, por investigação da Organização Mundial do Comércio após criar salvaguardas para a indústria de cartões domésticos. O episódio terminou sem sanções, mas serviu de alerta sobre como disputas desse tipo podem escalar.

Por ora, o Banco Central não comentou o novo relatório. No mercado, a avaliação é que qualquer tentativa de limitar o Pix esbarra na adesão popular – mais de 8 em cada 10 adultos utilizam a ferramenta – e na capilaridade que tornou o pagamento instantâneo indispensável para pequenos negócios.

O que você acha? O Pix deve frear seu avanço internacional para evitar atritos comerciais ou seguir como modelo global? Para mais análises sobre o tema, acesse nossa editoria de Finanças.


Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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