Baby do Brasil une pregação e rock em doc ‘Apocalipse Pop’
RIO DE JANEIRO/RJ – Em cartaz no festival É Tudo Verdade, o documentário “Apocalipse segundo Baby” expõe como a cantora Baby do Brasil transformou o vigor hippie dos Novos Baianos em uma pregação pop que antecipa o “arrebatamento” que ela diz aguardar.
- Em resumo: Filme costura 50 anos de imagens raras para mostrar a guinada espiritual da artista apelidada de “Janis Joplin latina”.
Da ponte de Salvador aos palcos internacionais
A produção dirigida por Rafael Saar intercala registros de 1969 a 2024 para narrar a fuga da adolescente Bernadete Cidade para a Bahia, onde dormiu debaixo da Ponte de Piatã. A câmera volta ao local quatro décadas depois, enquanto Baby relembra a fase de rua que antecedeu o sucesso com “A menina dança”.
O longa reforça o rótulo cunhado pelo Los Angeles Times — “Janis Joplin latina” — exibindo explosões vocais ao lado de Elza Soares e Ademilde Fonseca. Dados do Censo 2022 do IBGE indicam que artistas femininas ainda ocupam menos de 20% da programação de grandes festivais, tornando a trajetória de Baby um caso fora da curva.
“A ditadura brasileira foi avassaladora, mas a ginga brasileira venceu”, resume Baby, enquanto o filme projeta a gravação de “Brasil Pandeiro”.
Quando a guitarra encontra o púlpito
Convertida ao pentecostalismo em 1999, Baby se autodenomina “popstora” e usa o palco como culto. O roteiro mostra sua ruptura com o suposto paranormal Thomas Green Morton e explica por que canções que exaltavam a liberdade de fumar maconha deram lugar a letras sobre o fim dos tempos.

O fenômeno não é isolado: segundo o IBGE, a população evangélica saltou de 6% em 1980 para 31% em 2022, mercado que movimenta R$ 21 bilhões por ano em música e eventos. Essa expansão ajuda a explicar o interesse do Canal Brasil em coproduzir o filme e o espaço garantido em cinco sessões entre Rio e São Paulo.
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Crédito da imagem: Divulgação
