Barril a US$115 ameaça puxar inflação global, alerta mercado
Londres – O valor do barril de petróleo Brent saltou para US$ 115 (cerca de R$ 607) nesta segunda-feira, 29 de março de 2026, nível que não era visto desde 2022 e que reacende o fantasma de um novo ciclo inflacionário em todo o mundo.
- Em resumo: Brent rompe US$ 115 e WTI volta a ficar acima de US$ 100 após escalada do conflito no Oriente Médio.
Por que o preço disparou?
A oferta global já vinha pressionada por cortes voluntários de grandes produtores. Com a guerra no Oriente Médio sem prazo para terminar, investidores temem interrupções em rotas vitais de exportação. De acordo com dados do Banco Central, choques de petróleo costumam aparecer primeiro nas cotações do câmbio e, semanas depois, nos postos de combustível.
Na abertura dos mercados asiáticos, o West Texas Intermediate (WTI) para maio subiu 3,5 %, atingindo US$ 103,13 (aprox. R$ 540). Já o Brent ganhou 2,98 %, fechando em US$ 115,93.
“Cada dólar a mais no barril pode adicionar até 0,05 ponto percentual à inflação anual dos países importadores”, estimam analistas do setor.
Impacto no bolso e no Planalto
No Brasil, a Petrobras utiliza a paridade internacional para definir o preço das refinarias. Se a cotação atual persistir por mais de 15 dias, economistas projetam reajustes de dois dígitos na gasolina e no diesel ainda em abril, pressionando fretes e alimentos.

O último episódio parecido ocorreu em 2022, quando o Brent superou US$ 120 e a inflação brasileira bateu 10,06 % no acumulado de 12 meses, segundo o IBGE. Para conter novos repiques, o governo poderá lançar mão novamente de reduções de impostos federais sobre combustíveis — medida que custou cerca de R$ 25 bilhões aos cofres públicos na época.
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