Boom urbano: 2,7 mil brasileiros libertos de escravidão em 2025
Brasília – O Brasil encerrou 2025 com 2.772 trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão, alta de 26,8% em relação ao ano anterior e a primeira vez em que as cidades superam o campo nos flagrantes, segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).
- Em resumo: 68% dos resgatados estavam em áreas urbanas, virando o histórico de abusos concentrados no campo.
Por que a face da escravidão mudou de endereço?
Auditores-fiscais realizaram 1.594 operações ao longo do ano e pagaram R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas. O salto urbano expõe novas formas de exploração, principalmente em obras de alvenaria, que sozinhas responderam por 601 resgates. Dados do IBGE sobre informalidade revelam que um em cada três brasileiros trabalha sem carteira assinada, ambiente fértil para aliciadores.
Além da construção civil, administração pública terceirizada (304 casos) e confecções em oficinas domésticas surgem como pontos críticos. A SIT alerta que redes sociais e aplicativos de emprego facilitaram o recrutamento de mão de obra vulnerável para centros urbanos.
“Pela primeira vez o país identifica a escravidão contemporânea como um problema prioritariamente urbano, exigindo novas formas de vigilância”, destaca o relatório oficial.
Impacto social e geografia dos flagrantes
Mato Grosso lidera em vítimas (607), mas São Paulo figura como o estado com mais operações (215), evidenciando que a megametrópole concentra oferta de serviços precários. Perfil das vítimas: 86% homens, 83% pretos ou pardos e 65% residentes no Nordeste, confirmando o ciclo de migração forçada em busca de renda.

Especialistas lembram que o país completa 30 anos de reconhecimento oficial do problema. Nesse período, mais de 65 mil trabalhadores foram libertados e R$ 157 milhões pagos em direitos. O Código Penal enquadra trabalho forçado, jornada exaustiva e servidão por dívida como crime com pena de até oito anos de reclusão, agravada se houver tráfico de pessoas.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1
