Brasília – Depois de 12 anos longe dos grandes balcões europeus, o Tesouro Nacional voltou com força: levantou 5 bilhões de euros em títulos públicos, na maior emissão internacional já registrada pelo país.
- Em resumo: Procura triplicou a oferta e garantiu retornos de até 5,627% ao ano.
Entenda a operação bilionária
Foram colocados papéis de 4, 7 e 10 anos (EURO 2030, 2033 e 2036), liderados por BBVA, BNP Paribas, Bank of America e UBS. O tranche de quatro anos rendeu 4,240% ao ano e captou 2 bilhões de euros; os outros dois lotes trouxeram 1,5 bilhão de euros cada, com juros de 5,031% e 5,627% ao ano, respectivamente.
Segundo o Tesouro, a demanda ultrapassou em mais de três vezes o volume ofertado, com 69% dos pedidos originados na Europa, 9% na Ásia e 13% na América Latina. Esse apetite, apontam analistas, reflete o momento de juros altos no bloco europeu e a tentativa dos investidores de diversificar portfólios emergentes, como mostram dados do Banco Central.
“Os resultados com alta demanda, alto volume e spreads baixos evidenciam a confiança dos investidores na robustez e atratividade da dívida soberana brasileira”, ressaltou o Tesouro Nacional.
O que muda para a dívida pública
Ao captar em euros, o governo reduz a dependência do dólar e cria uma curva de referência para empresas brasileiras que queiram se financiar no Velho Continente. Atualmente, a fatia em moeda europeia corresponde a menos de 1% da dívida externa do governo, estimada em US$ 214 bilhões, segundo o Relatório Mensal da Dívida.

A volta ao mercado europeu também serve para alongar prazos: o vencimento médio da dívida externa gira em torno de 6,9 anos, e a nova tranche de dez anos ajuda a empurrar esse indicador para cima, aliviando pressões de refinanciamento em 2027-2028.
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