BTG Pactual mira Digimais de Edir Macedo em acordo sigiloso
São Paulo (SP) – O BTG Pactual anunciou, nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, um acordo para adquirir o banco digital Digimais, controlado pelo Grupo Record, do bispo Edir Macedo. O valor não foi revelado, mas a operação só avança se surgir espaço para propostas concorrentes e após o crivo do Banco Central e do Cade.
- Em resumo: BTG quer o Digimais, mas negócio depende de aval regulatório e pode virar leilão aberto.
Por que o BTG quer o Digimais?
Com carteira focada em crédito para veículos, o Digimais soma cerca de 800 mil clientes, segundo o último relatório público do banco. Para o BTG, a aquisição reforça a estratégia em segmentos de varejo onde a expansão orgânica é mais lenta. Dados do Banco Central mostram que o crédito para automóveis cresceu 17 % em 2025, ritmo acima da média do sistema financeiro.
A movimentação também se encaixa nas novas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), criadas após a crise do Banco Master, que facilitaram fusões de instituições de menor porte.
“A conclusão da transação está condicionada à abertura de oportunidade para que outros potenciais interessados no Digimais apresentem propostas concorrentes”, informou o BTG ao mercado.
Etapas, riscos e cenário de consolidação
Após o anúncio, inicia-se o chamado processo competitivo: durante um prazo previamente definido, outros bancos ou fundos podem igualar ou superar a oferta do BTG. Caso isso ocorra, o controlador – o Grupo Record – escolherá a proposta mais vantajosa.
Mesmo sem preço divulgado, analistas estimam que ativos semelhantes têm sido avaliados entre 1,2 e 1,5 vez seu patrimônio líquido. O Digimais encerrou 2025 com patrimônio de R$ 650 milhões, o que coloca a transação potencial na casa de R$ 780 milhões a R$ 1 bilhão.

A operação ainda pode enfrentar escrutínio no Cade, já que o BTG ampliaria sua participação no nicho de bancos digitais — mercado que, segundo a Febraban, saltou de 6 para 17 players relevantes em apenas cinco anos.
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