Cachês de até R$ 800 mil travam carnaval e apertam cofres no CE
Fortaleza/CE – A escalada de preços no mercado de shows, com cachês que chegam a R$ 800 mil por apresentação, tem levado cidades cearenses a rever – ou simplesmente cancelar – a programação de Carnaval, alerta a Aprece (Associação dos Municípios do Estado do Ceará).
- Em resumo: Para muitos prefeitos, contratar um único artista sairia mais caro que todo o orçamento anual de eventos culturais.
O efeito cascata nos pequenos cofres
Conforme a entidade, municípios de porte médio ou pequeno, cuja arrecadação depende em até 70% do Fundo de Participação dos Municípios, não conseguem conciliar a festa com a alta de custos mapeada pelo IBGE nem com as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Além do cachê, o pacote inclui hospedagem, logística e estrutura de palco, o que multiplica a despesa final. Numa cidade que arrecada R$ 20 milhões por ano, um show de grande porte poderia consumir mais de 5% da receita livre, percentual considerado crítico por consultores em finanças públicas.
“Os valores praticados no mercado de shows estão muito acima da capacidade orçamentária das prefeituras”, frisou o presidente da Aprece em entrevista ao portal Opinião CE.
Entre cultura e responsabilidade fiscal
O impasse reacende a discussão sobre até onde o poder público deve ir no financiamento de eventos culturais. Em 2023, o Tribunal de Contas do Estado já recomendou que municípios apresentem estudo de impacto antes de licitar atrações artísticas.

Especialistas lembram que 67% das cidades brasileiras fecharam 2022 no limite prudencial de gastos com pessoal. Nessa conjuntura, gestores cearenses enxergam alternativas: priorizar artistas locais, buscar patrocínio privado ou transferir parte da verba do Carnaval para áreas essenciais, como Saúde e Educação.
O que você acha? A festa deve ser bancada integralmente pelo município ou financiada em parceria com a iniciativa privada? Para mais detalhes, acesse nossa editoria especializada.
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