- Leilão libera iPhone por R$ 950; prazo para lances acaba dia 27
- Flávio Bolsonaro avaliza Alcides e lança disputa ao Senado no CE
- Após 60 dias em Quixadá, Bruno Barreto assume Júri da Capital
- Ceará crava 85% de crianças alfabetizadas e leva selo ouro
- R$ 1,2 bi em jogo: Justiça libera obras no entorno do Aeroporto
Cearense de 16 anos estuda 14h/dia e é única mulher na seleção de Física
FORTALEZA, CE – Aos 16 anos, a estudante Maria Beatriz Mesquita Ximenes, a Mabe, conquistou um feito raro: será a única brasileira na delegação que representará o país na Olimpíada Ibero-Americana de Física 2026, após marinhar até 14 horas diárias de preparo intenso.
- Em resumo: rotina exaustiva, mérito próprio e pioneirismo feminino em um time dominado por homens.
Do interior ao palco internacional
Nascida em Sobral e morando na capital desde os 14 anos, Mabe trocou o convívio familiar pelo sonho de competir fora do Brasil. No Colégio Farias Brito, ela cumpre até 11 aulas por dia, alternando teoria e experimentos de laboratório.
O esforço foi recompensado: sem depender da cota feminina garantida pelo regulamento, a aluna ficou entre os quatro melhores no Torneio Brasileiro de Física, seletiva oficial para eventos mundiais. Segundo o coordenador Cadu Farias, “ela brigou lá em cima e passou por mérito”.
“É muito difícil estar em um lugar onde você não vê ninguém parecido com você”, desabafa Mabe sobre a ausência de colegas mulheres.
Por que tão poucas meninas chegam lá?
O caso de Mabe expõe uma lacuna histórica. Dados do Inep mostram que, em 2023, apenas 26% dos ingressantes em cursos de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) eram mulheres. Globalmente, a UNESCO aponta participação similar, revelando que o problema é estrutural.
Especialistas atribuem o desequilíbrio a estereótipos precoces: meninos recebem mais estímulos para lógica e robótica, enquanto meninas são direcionadas a outras áreas. Para reverter o quadro, escolas apostam em torneios exclusivos, mentorias femininas e apoio psicológico – iniciativas que começam a surtir efeito, já que outras quatro alunas passaram a treinar com Mabe neste ano.

Futuro: da Física à Computação Quântica
Inspirada pelo potencial transformador da computação quântica, Mabe avalia universidades no Brasil e no exterior. Medalhistas da Olimpíada Ibero-Americana costumam obter bolsas fora do país, e a jovem pretende aproveitar a vitrine internacional para continuar pesquisando tecnologias de ponta.
O que você acha? Projetos de referência como o de Mabe podem atrair mais meninas para as ciências exatas? Para acompanhar outras histórias de educação e superação, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação
