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Cearense gasta R$15 mil, encontra petróleo e segue sem água
Tabuleiro do Norte/CE – Em plena zona rural do município, uma perfuração que custou R$ 15 mil ao agricultor Sidrônio Moreira expôs possível jazida de petróleo, mas não trouxe o que a família mais precisa: água potável para sobreviver no semiárido.
- Em resumo: descoberta atraiu a Agência Nacional do Petróleo, mas o poço continua seco para consumo humano.
Por que petróleo não resolve o problema hídrico?
A análise preliminar de 2025 indicou que o fluido tem as mesmas características físico-químicas do petróleo extraído na vizinha Bacia Potiguar. De acordo com a série estatística do IBGE sobre recursos hídricos, 41% dos domicílios rurais do Nordeste ainda dependem de fontes alternativas, como carros-pipa, situação que se agrava quando perfurações contaminam o lençol freático.
Mesmo que o óleo seja confirmado, a família não poderá vendê-lo. A Constituição estabelece que todo petróleo pertence à União; somente empresas vencedoras de leilão podem explorar o recurso. O proprietário receberia, no máximo, participação nos futuros lucros, algo distante da urgência diária de encher baldes e bebedouros para o gado.
“Nunca foi nossa intenção achar petróleo, sempre foi achar água”, frisou Sidnei Moreira, filho do agricultor.
O que diz a lei e quando a água chega?
O Código do Petróleo (Lei 9.478/1997) prevê compensação financeira aos donos de terra onde houver produção comercial, mas somente após licenciamento ambiental, estudos sísmicos e leilão federal – um processo que costuma levar anos. Enquanto isso, Sidrônio segue proibido de perfurar outro poço sem orientação técnica, para não arriscar contaminação.

A esperança imediata está em uma nova adutora municipal prometida para abastecer mais de 700 famílias até o fim de março. Quando concluída, a tubulação deve reduzir a dependência de carros-pipa e permitir que o agricultor quite o empréstimo bancário que fez para cavar o poço “errado”.
O que você acha? Descobrir petróleo seria fortuna ou dor de cabeça para pequenos produtores? Para acompanhar outras histórias do interior cearense, visite nossa editoria Ceará.
Crédito da imagem: Divulgação / g1
