Céu totalmente vazio: Por que a Artemis II 'apagou' as estrelas?
Céu totalmente vazio: Por que a Artemis II ‘apagou’ as estrelas?
NASA – Nas imagens recentes divulgadas da missão Artemis II, Terra e Lua surgem com nitidez impressionante, mas o pano de fundo permanece preto absoluto. A ausência de estrelas causou estranhamento nas redes, reacendendo teorias e dúvidas sobre a autenticidade dos registros.
- Em resumo: câmeras usam exposição ultra-rápida para evitar “estouro” de luz, o que faz as estrelas sumirem.
Contraste extremo apaga pontos luminosos
De acordo com o astrofísico Jaziel Goulart Coelho, a luz refletida pela Terra e pela Lua é até um bilhão de vezes mais intensa que o brilho médio das estrelas visíveis a olho nu. Para registrar as superfícies iluminadas sem perder detalhes, as 30 câmeras a bordo adotam tempos de exposição curtíssimos — técnica parecida com a do modo “foto diurna” dos smartphones.
Quando o obturador fica aberto por poucos milissegundos, apenas fontes muito fortes deixam marca no sensor. Resultado: os astros distantes, já fracos por natureza, desaparecem na fotografia.
“As estrelas continuam lá; simplesmente não entram na conta de luz da câmera”, explica Jaziel Goulart Coelho.
Do Apollo ao DSCOVR: evolução dos olhos no espaço
O fenômeno não é novo. Já na Apollo 11, em 1969, astronautas enfrentaram o mesmo dilema técnico. Hoje, satélites como o DSCOVR, lançado em 2015, fazem cliques da Terra a 1 milhão de quilômetros usando a câmera EPIC. Mesmo assim, esses sensores precisam alternar modos de exposição: um para a superfície brilhante, outro — de vários segundos — dedicado a mapear estrelas de magnitude elevada.
Especialistas em astrofotografia lembram que, na prática, a diferença de brilho entre um planeta iluminado e uma estrela de magnitude 6 supera 10 bilhões de vezes. Por isso, telescópios amadores em terra precisam de longas exposições ou empilhamento de imagens para revelar a Via Láctea, técnica inviável em naves tripuladas em movimento acelerado.
Embora as fotos da Artemis II não tragam descobertas científicas inéditas, elas reforçam a importância da presença humana na coleta de dados em tempo real — etapa crucial na retomada da corrida espacial entre Estados Unidos e China por uma base permanente na Lua.
O que você acha? Você já havia reparado nesse “apagão” estelar nas fotos da NASA? Para acompanhar outras notícias sobre ciência e espaço, visite nossa editoria Mundo.
Crédito da imagem: Divulgação
