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domingo, março 15, 2026

Choque tectônico raro deu à Venezuela 300 bi de barris

Choque tectônico raro deu à Venezuela 300 bi de barris

Caracas, Venezuela – Resultado de um “alinhamento” geológico improvável, o subsolo venezuelano abriga cerca de 300 bilhões de barris em reservas comprovadas – quase 20% do estoque global, cifra que voltou aos holofotes após a captura de Nicolás Maduro por tropas dos EUA e declarações de Donald Trump sobre a “fortuna enterrada” do país.

  • Em resumo: Placas tectônicas empurraram sedimentos a ponto de concentrar a maior acumulação de hidrocarbonetos em terra firme do planeta.

Entenda o “empurrão” das placas

A Venezuela está posicionada no encontro das placas Sul-Americana, do Caribe e de Nazca. Esse choque incessante mergulha camadas de rocha sob pressão, gerando dados que o IBGE usa para mapear áreas sedimentares profundas. Nessas cavidades, matéria orgânica depositada há milhões de anos foi “cozida” e migrou até armadilhas naturais como a Faixa Petrolífera do Orinoco.

O geólogo Philip Prince, da Universidade Virginia Tech, lembra que a borda sul-americana “funciona como uma pá de neve que empilha quilômetros de rocha”, criando espaços ideais para armazenar óleo pesado, rico em enxofre e essencial para diesel e querosene de aviação.

“Tudo se encaixa perfeitamente: rocha geradora de alta qualidade, reservatório excepcional e uma estrutura que reteve volumes extraordinários”, resume Prince.

Do boom dos anos 1910 à liderança mundial

Desde o primeiro jorro comercial em Mene Grande, em 1914, empresas como Shell, Exxon e Chevron extraíram 75 bilhões de barris em 320 campos. Ainda assim, o “grosso” do petróleo continua abaixo da superfície, especialmente na faixa do Orinoco – uma região do tamanho de Portugal.

Apesar da imensidão, grande parte do óleo é extrapesado, caro de bombear e refinar. Por isso, a produção diária venezuelana caiu para menos de 800 mil barris, longe dos 3,4 milhões registrados nos anos 1990. Analistas estimam que, para recuperar fôlego, seriam necessários US$ 110 bilhões em investimento e tecnologia de melhoramento de viscosidade, segundo relatório recente da Opep.

O futuro depende de dinheiro e de política

Sanções internacionais, instabilidade política e custo tecnológico mantêm boa parte das reservas sob o solo. Mauro Ratto, da Plenisfer Investments, aponta que “o desafio não é achar petróleo, mas torná-lo economicamente viável”. Enquanto isso, os EUA seguem apreendendo cargueiros ligados ao cru venezuelano, como os dois navios retidos em janeiro.

O que você acha? A riqueza subterrânea pode recolocar a Venezuela entre os grandes exportadores ou continuará presa a impasses políticos? Para mais análises internacionais, acesse nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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