Clássico-Rei vira caso de polícia: MP acusa 138 torcedores
FORTALEZA/CE – O Ministério Público do Ceará (MPCE) apresentou, na última terça-feira (24), denúncia contra 138 integrantes de torcidas organizadas pelos violentos confrontos registrados às 15h20 do dia 08 de fevereiro, horas antes do primeiro Clássico-Rei da temporada. A iniciativa reforça a tensão em torno da segurança dos grandes eventos esportivos no Estado.
- Em resumo: tumulto, artefatos explosivos e corrupção de menores renderam 236 prisões e 15 medidas cautelares.
Como a investigação chegou aos acusados
De acordo com a 183ª Promotoria de Justiça, as imagens coletadas no bairro Jardim Guanabara e os depoimentos colhidos em audiência de custódia comprovaram a ação coordenada dos torcedores rivais. Entre os crimes listados estão associação criminosa, lesão corporal, resistência e desobediência.
O uso de artefatos explosivos chamou atenção: o Estatuto do Torcedor prevê pena de até três anos de reclusão para quem portar esse tipo de material em eventos esportivos. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que, em 2023, ao menos 89 ocorrências envolvendo torcidas resultaram em apreensão de explosivos no país, um aumento de 27% em relação a 2022.
“O confronto gerou risco concreto a moradores e transeuntes que nada tinham a ver com o jogo”, destaca a 183ª Promotoria.
Impacto para futuros jogos e estatísticas de violência
Além das 138 novas denúncias, outras 109 pessoas já haviam sido acionadas pelo mesmo episódio, totalizando 247 réus. O número supera a média nacional de 1,2 torcedor denunciado por partida, segundo levantamento do FBSP.

Em 2022, o Atlas da Violência registrou 16 mortes ligadas a brigas de torcidas no Brasil; metade ocorreu no período pré-jogo, cenário parecido com o de Fortaleza. Especialistas defendem barreiras eletrônicas e cadastro biométrico como saídas para reduzir reincidências.
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Crédito da imagem: Divulgação
