Cláudio Jorge transforma racismo em samba vibrante aos 76 anos
RIO DE JANEIRO – Prestes a pôr nas plataformas “Kota, a cor da pele”, o violonista e compositor Cláudio Jorge, 76, converte vivências de racismo em um manifesto rítmico que exalta a ancestralidade negra e cutuca feridas sociais.
- Em resumo: álbum de 13 faixas mistura batuque e denúncia, com homenagem a Vinícius Júnior.
Da indignação ao batuque: como nasceu “Kota”
Gravado no estúdio Vale da Tijuca, o disco resgata tambores de ijexá, kalimba e atabaques para narrar, em primeira pessoa, barreiras impostas pela cor da pele. O pontapé veio depois dos insultos sofridos por Vinícius Júnior na Europa, transformados no samba “O tom do Vinícius”, parceria com Joyce Moreno.
Segundo o Atlas da Violência 2024, negros representam 77% das vítimas de homicídio no país, dado que reforça a urgência do recado embutido no álbum.
“A cor da pele define o destino de muitos brasileiros”, sintetiza Cláudio Jorge na apresentação do trabalho.
Ancestralidade em 13 crônicas musicais
O repertório traz oito canções inéditas e revisita obras criadas com Nei Lopes, Arlindo Cruz e Chico César. Entre elas, “Acorda, meu amor!” abre a audição quase a capella, enquanto “Tia Eulália na xiba” encerra o disco com trompete exuberante de Diogo Gomes.

Figuras históricas também são lembradas: percussionistas Peninha e Zero Awá ganham tributo em “Congueiros e ogãs”, e a faixa “Para Wonder e McCartney” celebra a união antirracista eternizada em “Ebony and Ivory”.
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Crédito da imagem: Divulgação / Celso Filho
