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Coração de menina do PI salva bebê do CE, que deixa UTI
Fortaleza, CE – Na última quarta-feira (1º), a pequena Sophia Vitória, de 1 ano e 10 meses, cruzou a saída do hospital vestida de heroína: ela recebeu alta 45 dias depois de receber o coração da piauiense Marina Ferreira Rocha, 7, doado após um acidente de quadriciclo em Teresina.
- Em resumo: Transplante infantil raro devolve rotina à família e expõe a carência de doadores no país.
Doação que atravessou estados e salvou uma vida
Diagnosticada com cardiopatia dilatada aos cinco meses, Sophia dependia de um órgão compatível para sobreviver. A autorização dos pais de Marina permitiu que, em fevereiro, as duas equipes médicas sincronizassem a retirada no Piauí e o implante no Ceará. Segundo o Ministério da Saúde, menos de 15% das famílias autorizam a doação quando o potencial doador é menor de 12 anos.
Na despedida, profissionais formaram um corredor humano: aplausos, fantasia de capa vermelha e balões marcaram o momento em que a bebê deixou a UTI, agora com batimentos estáveis e previsão de acompanhamento ambulatorial mensal.
“Decidimos que, através da vida da Marina, outras vidas poderão ser abençoadas”, declarou Cynara Lopes, mãe da doadora.
Transplantes cardíacos infantis ainda são exceção
Em todo o Brasil, foram apenas 64 transplantes de coração em crianças menores de 10 anos em 2025, menos de 9% do total de procedimentos cardíacos, de acordo com o Sistema Nacional de Transplantes. A escassez se agrava porque a compatibilidade exige peso e idade próximos, tornando cada autorização decisiva.

Para especialistas, a história de Sophia pode estimular cadastros em campanhas como a “Doe Órgãos, Salve Vidas”, que pretende aumentar em 20% o índice de consentimento familiar até 2027. Enquanto isso, a bebê inicia uma nova fase: fisioterapia para fortalecer músculos que ficaram debilitados pela longa internação e uma rotina de imunossupressores para evitar rejeição.
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Crédito da imagem: Divulgação
