Cotas raciais da Uerj completam 22 anos e ampliam acesso
Cotas raciais da Uerj completam 22 anos – No final de novembro de 2025, ex-alunos se reuniram na reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro para celebrar mais de duas décadas da política que abriu as portas do ensino superior a 32 mil estudantes negros, indígenas e quilombolas.
O encontro marcou o início da coleta sistemática de dados sobre a trajetória profissional desses egressos, etapa considerada estratégica para a revisão da lei que garante as cotas, prevista para 2028.
Experiências que ilustram mobilidade social
Henrique Silveira, ex-aluno de Geografia, lembra que a vaga conquistada em 2006 lhe permitiu trocar o trabalho informal na Baixada Fluminense por um cargo na gestão pública. “Sou o exemplo vivo da transformação que a cota proporciona”, afirmou.
A dentista Maiara Roque, aprovada em 2013, destaca o sentimento de pertencimento conquistado após superar questionamentos sobre seu desempenho. Hoje, ela atende em um consultório na Penha e afirma “devolver à comunidade” a oportunidade recebida.
Desempenho acadêmico e números do ensino superior
Estudos internos da Uerj mostram rendimento equivalente entre cotistas e não cotistas, tendência confirmada pelo Censo da Educação Superior do Inep, que aponta aumento de aprovação média e redução da evasão entre grupos beneficiados por ações afirmativas.
Apesar dos avanços, a desigualdade racial permanece: levantamento do IBGE revela que, em 2022, apenas 11,7% dos pretos e 12,3% dos pardos concluíram o ensino superior, contra 25,8% dos brancos.
Debate sobre critérios socioeconômicos
Diferentemente das universidades federais, a Uerj cruza autodeclaração racial com renda familiar de até R$ 2.277 por pessoa. Para parte dos egressos, o valor é baixo e dificulta a permanência em cursos de pós-graduação.

O historiador David Gomes, formado em 2017, defende a eliminação do teto de renda na seleção de negros, alegando que “o recorte atual exclui graduados de áreas como Direito e Medicina que ainda enfrentam barreiras no mercado”. A proposta deve ser analisada na revisão legislativa.
Próximos passos e fortalecimento da permanência
A Lei 8.121/2018 destina 20% das vagas da Uerj a cotas raciais e outros 20% a egressos de escolas públicas. O texto também autoriza o acúmulo de auxílios, como bolsas de iniciação científica, ampliando as chances de conclusão dos cursos.
Entre as recomendações dos ex-alunos estão simplificar a comprovação de renda, expandir pré-vestibulares populares e integrar sistemas de acompanhamento para medir o impacto social dos formados.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil
