Deezer – Um relatório divulgado na última segunda-feira (9) acendeu o alerta no mercado musical: quase metade das faixas enviadas diariamente à plataforma já nasce em laboratórios de inteligência artificial, não em estúdios tradicionais.
- Em resumo: 44% dos uploads diários (75 mil músicas) são gerados por IA.
Por que esse salto preocupa a indústria?
Em 2025, o índice de uploads artificiais era de 18%. Em apenas um ano, a fatia mais que dobrou, sinalizando uma mudança de ritmo que, segundo analistas, pode pressionar modelos de remuneração de artistas humanos. Dados da Variety mostram que majors como Universal e Sony já estudam barreiras tecnológicas para conter o dilúvio de faixas sintéticas.
Na Deezer, todas as canções identificadas como artificiais recebem uma etiqueta, são retiradas das recomendações e não geram pagamento de royalties. Ainda assim, a empresa admite que essas composições representam até 3% das audições na plataforma.
“97% das pessoas não distinguem música de IA de música humana”, apontou um estudo da própria Deezer em novembro de 2025.
Impacto para criadores, ouvintes e algoritmos
Enquanto compositores temem a perda de visibilidade, especialistas lembram que o excesso de conteúdo de baixa qualidade pode “poluir” playlists e tornar a descoberta de novos talentos mais difícil. A prática, conhecida como “spam musical”, já levou o Spotify a remover dezenas de milhares de faixas geradas por bots no início de 2026.
Para o consumidor, a vantagem é o acesso quase infinito a variações de gêneros e moods, mas o risco é perder referência sobre autoria e autenticidade. Juridicamente, o debate avança: em fevereiro, o Parlamento Europeu discutiu a criação de um selo obrigatório que informe se a voz ou o instrumental foram sintetizados por IA.
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