27.5 C
Ceará
terça-feira, março 24, 2026

Déficit salta para R$ 60 bi e governo congela só R$ 1,6 bi

Déficit salta para R$ 60 bi e governo congela só R$ 1,6 bi

Brasília, DF – Em pleno 24 de março de 2026, o governo federal informou, no seu primeiro relatório de receitas e despesas do ano, o bloqueio de apenas R$ 1,6 bilhão em gastos livres, ao mesmo tempo em que elevou para R$ 59,8 bilhões a previsão de déficit primário. A decisão reduz o contingenciamento esperado pelo mercado, mas coloca as contas públicas perigosamente próximas do teto permitido pelo novo arcabouço fiscal.

  • Em resumo: corte simbólico de R$ 1,6 bi libera fôlego eleitoral, mas projeta rombo próximo ao limite legal.

Por que o corte ficou tão pequeno?

O contingenciamento abrange verbas discricionárias como investimentos, custeio de universidades e emissão de passaportes. Analistas calculavam um aperto de até R$ 10 bilhões, mas a equipe econômica priorizou executar mais gasto em ano de eleição. O ajuste tímido, porém, obrigou a revisão da meta – e o déficit quase dobrou em relação à estimativa aprovada no Orçamento.

Segundo o Ministério da Fazenda, a medida respeita o arcabouço que limita a expansão das despesas a 70 % da variação da arrecadação, sem ultrapassar 2,5 % reais ao ano. Para especialistas, o resultado deixa o governo a poucos bilhões de descumprir a regra e compromete a trajetória da dívida. Dados do Banco Central mostram que a dívida bruta encerrou 2025 em 74,3 % do PIB, patamar que tende a subir se o déficit previsto se confirmar.

TRANSMISSÃO: do – no primeiro relatório de receitas e despesas do governo, o déficit passou de R$ 22,9 bi para R$ 59,8 bi.

Efeitos políticos e fiscais imediatos

Com a margem quase esgotada, qualquer frustração de receita pode forçar novos cortes no segundo semestre ou a edição de créditos extraordinários – justamente o que o arcabouço queria evitar. Ainda assim, manter mais recursos livres interessa ao Planalto em ano de campanha, permitindo acelerar obras e programas sociais.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias exige superávit de 0,25 % do PIB (R$ 34,3 bi), mas aceita variação de meio ponto percentual. O governo usará até R$ 63,4 bi em precatórios para “limpar” essa conta e tentar cumprir formalmente a meta. Em 2025, estratégia semelhante reduziu o bloqueio inicial de R$ 2,9 bi, e em 2024 o contingenciamento foi de R$ 31,3 bi, revelando um padrão de ajustes de última hora.

O que você acha? O contingenciamento mínimo é prudência ou manobra eleitoral? Para acompanhar outras análises sobre finanças públicas, acesse nossa editoria de Finanças.


Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
Últimas Notícias
Saiba Mais

Destaques de Agora