Deputado exige Elmano revele 50 políticos ligados a facções
FORTALEZA/CE – Em um protesto solitário na manhã do último sábado (21), o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) ergueu um cartaz diante do Palácio da Abolição e cobrou do governador Elmano de Freitas a divulgação dos nomes de mais de 50 políticos cearenses supostamente vinculados a facções criminosas. A cobrança, feita sob o sol na principal sede do Executivo estadual, expôs publicamente a tensão entre Legislativo e Governo sobre a transparência no combate ao crime organizado que avança sobre as câmaras municipais.
- Em resumo: deputado quer lista de 50 políticos suspeitos de integrar facções; cinco vereadores de Morada Nova já foram presos.
Protesto que mexe com o tabuleiro político
Sozinho, Fernandes permaneceu quase uma hora diante da guarita principal. Ele argumenta que a omissão dos nomes “só fortalece a rede de proteção” a criminosos infiltrados na política. Segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Ceará registrou, nos últimos cinco anos, um aumento de 41% nos crimes comandados por facções, fenômeno que costuma andar de mãos dadas com a captura de agentes públicos.
Elmano de Freitas, que na posse prometeu “tolerância zero” com o crime organizado, ainda não comentou se revelará a lista.
“Precisamos saber quem são esses mais de cinquenta nomes para que a sociedade volte a confiar”, afirmou Alcides Fernandes.
Morada Nova: epicentro das prisões de vereadores
A Operação Traditori, deflagrada pela Polícia Federal neste mês em Morada Nova, já prendeu cinco vereadores por suspeita de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e financiamento ilícito de campanhas. Entre eles estão Hilmar Sergio (PT), Regis Rumão (PP) e Cláudio Maroca (PT). O presidente da Câmara, Hiran Sérgio, também foi recolhido ao presídio após decisão judicial.
Em contrapartida, Júnior do Dedé (PSB) e Gleide Rabelo (PT) ganharam liberdade provisória com tornozeleira eletrônica. Gleide declarou à PF ter desembolsado R$ 100 mil para não ser executada pela facção GDE, revelação que evidencia até onde vai o poder de coação do grupo criminoso.

Morada Nova não é caso isolado. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que, nas eleições de 2022, o Ceará teve 26 investigações formais sobre financiamento suspeito de campanha — o dobro da média nacional. Especialistas apontam que a ausência de regulamentação específica sobre infiltração criminosa em partidos dificulta a punição célere.
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