- Câmeras flagram secretário morto a tiros ao lado da Prefeitura
- Tiroteio-relâmpago mata tio do prefeito dentro de depósito
- Republicanos mira 6 cadeiras: Feitosa filia Fernando Hugo e aliados
- Diário de 106 páginas vira peça-chave e família prolonga busca na Inglaterra
- Cobrança de “resgate” virtual expõe moradores; suspeito cai em SP
Desejo, classe e polêmica: novo ‘Morro dos Ventos’ divide fãs
São Paulo – A estreia nacional de “O Morro dos Ventos Uivantes”, nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, traz à tona um clássico reinventado pela diretora Emerald Fennell. A cineasta subverte o romance gótico de Emily Brontë com doses explícitas de sensualidade e cortes narrativos que já acendem debates sobre representatividade e fidelidade literária.
- Em resumo: filme intensifica erotismo, suprime a segunda geração de personagens e trocou a etnia de Heathcliff, interpretado agora por Jacob Elordi.
Erotismo como fio condutor
Fennell amplia o desejo físico entre Heathcliff e Catherine, algo apenas insinuado no texto de 1847. A relação doentia, antes ancorada no psicológico e no espiritual, ganha cenas que beiram o explícito, ecoando o estilo provocador de “Saltburn”.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, 52% dos brasileiros não leem livros regularmente. Em obras audiovisuais, portanto, reside a porta de entrada para clássicos – mas também o risco de deturpações.
“A música é alta, os figurinos parecem saídos de um desfile, e a tensão sexual é quase sólida”, descreve a crítica original.
Classe social, cor da pele e o debate sobre “whitewashing”
Elordi é “inquestionavelmente branco”, contrariando a descrição de Heathcliff como homem de pele escura e origem estrangeira. A mudança, presente em adaptações anteriores, reacende críticas de apagamento étnico em Hollywood. O longa tenta compensar ao reforçar o abismo de classes: o romance entre uma aristocrata e um plebeu já seria suficiente para escandalizar a Inglaterra vitoriana.

Ficaram de fora, porém, os herdeiros do casal — parte crucial do livro ao mostrar a hereditariedade do trauma. Sem a segunda geração, Fennell concentra o enredo no ciclo de obsessão do casal, embalado por trilha sonora grandiosa e cenários quase oníricos.
O que você acha? A ousadia desta versão enriquece ou distorce o legado de Emily Brontë? Para mais análises sobre cinema e cultura pop, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação
