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quinta-feira, março 19, 2026

Desejo, classe e polêmica: novo ‘Morro dos Ventos’ divide fãs

Desejo, classe e polêmica: novo ‘Morro dos Ventos’ divide fãs

São Paulo – A estreia nacional de “O Morro dos Ventos Uivantes”, nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, traz à tona um clássico reinventado pela diretora Emerald Fennell. A cineasta subverte o romance gótico de Emily Brontë com doses explícitas de sensualidade e cortes narrativos que já acendem debates sobre representatividade e fidelidade literária.

  • Em resumo: filme intensifica erotismo, suprime a segunda geração de personagens e trocou a etnia de Heathcliff, interpretado agora por Jacob Elordi.

Erotismo como fio condutor

Fennell amplia o desejo físico entre Heathcliff e Catherine, algo apenas insinuado no texto de 1847. A relação doentia, antes ancorada no psicológico e no espiritual, ganha cenas que beiram o explícito, ecoando o estilo provocador de “Saltburn”.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, 52% dos brasileiros não leem livros regularmente. Em obras audiovisuais, portanto, reside a porta de entrada para clássicos – mas também o risco de deturpações.

“A música é alta, os figurinos parecem saídos de um desfile, e a tensão sexual é quase sólida”, descreve a crítica original.

Classe social, cor da pele e o debate sobre “whitewashing”

Elordi é “inquestionavelmente branco”, contrariando a descrição de Heathcliff como homem de pele escura e origem estrangeira. A mudança, presente em adaptações anteriores, reacende críticas de apagamento étnico em Hollywood. O longa tenta compensar ao reforçar o abismo de classes: o romance entre uma aristocrata e um plebeu já seria suficiente para escandalizar a Inglaterra vitoriana.

Ficaram de fora, porém, os herdeiros do casal — parte crucial do livro ao mostrar a hereditariedade do trauma. Sem a segunda geração, Fennell concentra o enredo no ciclo de obsessão do casal, embalado por trilha sonora grandiosa e cenários quase oníricos.

O que você acha? A ousadia desta versão enriquece ou distorce o legado de Emily Brontë? Para mais análises sobre cinema e cultura pop, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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