Despedida musical: Marina Lima eterniza irmão em 'Opera Grunkie'

RIO DE JANEIRO – Em transmissão no YouTube nesta quinta-feira (16), Marina Lima revelou que o álbum “Opera Grunkie” nasceu da urgência de se despedir do irmão e parceiro artístico Antonio Cicero, morto em 2024, e de reafirmar sua atualidade após 50 anos de carreira.

  • Em resumo: Novo disco foi composto como carta de amor póstuma ao irmão e reacende debate sobre etarismo na crítica musical.

Como a perda de Antonio Cicero virou música

Na conversa concedida ao podcast g1 Ouviu, a artista contou que a faixa “Meu Poeta” foi escrita “sem poder pular nenhuma dor”. A composição, que mistura cordas clássicas e beats eletrônicos, ecoa a união dos dois em hits desde a década de 1980.

A psicóloga clínica Katherine Shear, citada pela Variety, aponta que transformar luto em arte acelera processos de ressignificação, algo percebido em discos como “Blackstar”, de David Bowie, e agora no trabalho de Marina.

“Eu precisei fazer esse disco porque era uma necessidade de me despedir dele, de dizer o quanto eu o amava.” — Marina Lima

Críticas, etarismo e a força de 50 anos de palco

Marina se disse surpresa por comparações com músicas lançadas “há 40 anos” e cancelou a assinatura da “Folha de São Paulo” após leitura de resenha negativa. Segundo ela, o julgamento seria diferente “se o disco fosse assinado por um homem”. O questionamento encontra eco no relatório Women in Music 2025, que mostra que apenas 1 em cada 5 autores no topo das paradas globais são mulheres.

A cantora reforçou que prefere criar material inédito em vez de regravar sucessos. “Eu vivo o meu presente”, declarou, reforçando estar atenta a novas sonoridades, de Billie Eilish a Anitta — esta última elogiada pela “linguagem do corpo” que, nas palavras de Marina, “liberou minha bunda”.

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Crédito da imagem: Divulgação

Ana Catarina

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