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Diesel sobe 24% e postos racionam combustível em 11 estados
Brasília – A disparada de quase 24% no preço do diesel desde o início da guerra no Oriente Médio já provoca racionamento em postos de 11 estados e pressiona a inflação brasileira, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP).
- Em resumo: Diesel saltou de R$ 6,03 para R$ 7,45 em poucas semanas, encostando o Brent nos US$ 120.
- Entidades alertam para risco de desabastecimento e inflação extra de 0,6 p.p. no IPCA de 2026.
Por que o conflito fez o preço explodir?
A ofensiva israelense contra instalações iranianas reacendeu a tensão no golfo Pérsico, região que concentra cerca de um terço do tráfego mundial de petróleo. A simples ameaça de novos bloqueios navais foi suficiente para levar o Brent novamente à casa dos US$ 120, patamar que não era visto desde 2022. De acordo com o Boletim Focus do Banco Central, cada aumento de 10% no barril adiciona em média 0,2 ponto percentual à inflação brasileira.
No mercado interno, a defasagem entre o preço da Petrobras e a paridade de importação chegou a 65% no diesel e 45% na gasolina, inibindo importadores privados e concentrando a oferta nas refinarias da estatal.
“Está evidente que o preço da Petrobras está muito defasado e que as distribuidoras precisam repassar esse aumento de custo”, afirma Sérgio Araújo, presidente da Abicom.
Impacto direto no bolso e nos juros
Com 30% do diesel consumido no país vindo do exterior, a redução de 60% na atividade de importadoras já causa filas em bombas de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O Sindicato do Comércio Varejista gaúcho relata que 88% dos postos recebem combustíveis de forma parcial.
Para conter o choque, o governo zerou tributos federais sobre o diesel e ofereceu auxílio de R$ 1,20 por litro importado até maio, dividindo a conta com estados. Ainda assim, o Banco Central sinalizou que pode interromper cortes na Selic se o petróleo seguir pressionado.

Historicamente, combustíveis representam pouco mais de 6% do IPCA. O economista Marcelo Rebelo, do Banco do Brasil, calcula que o choque atual pode acrescentar 0,6 ponto à inflação deste ano – o suficiente para comprometer as metas de 2026 caso a tendência não se reverta.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1
