Diferença de R$ 14,26 entre bovina e suína é a maior desde 2022
Piracicaba/SP – Boletim do Cepea/USP divulgado nesta quinta-feira (9) revela que a distância de preços entre as carcaças bovina e suína saltou para R$ 14,26 por quilo em março de 2026, recorde não visto desde 2022 e sinal amarelo para o bolso do consumidor.
- Em resumo: Alta nas exportações de boi e baixa demanda por carne suína na Quaresma criam a maior diferença de preços em 4 anos.
Por que o bolso sente o impacto?
A carcaça casada bovina na Grande São Paulo avançou 2,6% em março, atingindo R$ 24,32 /kg. Já a carcaça especial suína recuou 2,8%, fechando o mês em R$ 10,06 /kg. O resultado é um gap de 6,8% frente a fevereiro, segundo o Cepea.
Dados do IBGE sobre consumo alimentar indicam que a proteína bovina ainda responde por quase 40% dos gastos das famílias com carnes, tornando-a fortemente sensível a qualquer oscilação.
“De janeiro a março, o Brasil exportou 701,7 mil t de carne bovina in natura, 19,7% acima de 2025”, aponta o Cepea com base em números da Secex.
Exportações aquecidas x Quaresma fria
O fôlego das vendas externas de boi explica parte da valorização: o preço médio pago pela tonelada subiu para US$ 5.814,80, alta de 18,7% sobre março de 2025. Ao mesmo tempo, a procura interna por carne suína encolheu durante a Quaresma, período em que historicamente o consumo esfria.
Além disso, produtores de suínos enfrentam a pressão de custos logísticos. Conflitos no Oriente Médio elevam fretes marítimos e geram incerteza, mesmo que a região não seja destino central da proteína, observam analistas do Cepea.

Para o consumidor, o quadro significa substituição limitada: apesar da queda recente, o suíno vivo ainda acumula retração de 20% em doze meses, mas a diferença de preços com o boi permanece no maior patamar em quatro anos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Secom





