Diretor vira alvo de fake news: 7,5 mi do FSA, nenhum banco
São Paulo/SP – Uma corrente nas redes sociais ressuscitou acusações de que Kleber Mendonça Filho, responsável pelo premiado “O agente secreto”, comandaria um banco e teria participação na Havaianas. A verificação mostra que a mensagem é falsa e que o longa recebeu recursos legais do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), sem ligação com a Lei Rouanet.
- Em resumo: vídeo viral distorceu dados; Mendonça não é banqueiro e o filme captou R$ 7,5 milhões do FSA, mecanismo abastecido pelo próprio setor.
Como a mentira ganhou força nas redes
A postagem de 12 de janeiro, com mais de 1,8 mil curtidas, acusa o diretor e o ator Wagner Moura de “lucrar com propina”. O conteúdo ainda relaciona a marca Havaianas a suposto “apoio ideológico”. Segundo dados da Febraban, nenhum registro societário liga Mendonça a instituições financeiras.
Na base CruzaGrafos, mantida pela Abraji, a única empresa ativa em nome do cineasta é a Cinemascópio Produções. Já no acordo de acionistas público da Alpargatas, controladora da Havaianas, constam apenas as famílias Setubal, Villela e Moreira Salles.
“O Kleber não é dono de nenhum banco nem sócio da Havaianas”, afirmou a assessoria do diretor.
Financiamento legítimo e regras do setor
O Ministério da Cultura confirmou que “O agente secreto” captou R$ 7,5 milhões do FSA para produção e R$ 750 mil para comercialização — valores provenientes de tributos da própria indústria audiovisual, como a Condecine, e administrados pela Ancine com intermediação do BNDES.

Além disso, R$ 3 milhões vieram da Lei do Audiovisual, que permite a empresas abaterem até 6% do Imposto de Renda ao patrocinar filmes. Desde 2008, mais de 1,4 mil obras — entre elas “Tropa de Elite 2” e “Minha Mãe é uma Peça 3” — utilizaram a mesma fonte de fomento.
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Crédito da imagem: Divulgação
