Dívida brasileira salta a R$ 10 tri e pressiona Selic a 15%
Brasília/DF – A dívida bruta do setor público atingiu 78,7% do PIB em 2025, o equivalente a R$ 10 trilhões, segundo o Banco Central. O avanço, puxado por gastos federais e juros de 15% ao ano, eleva o custo de financiamento do país e acende alerta para novos aumentos em 2026.
- Em resumo: Endividamento subiu 7 pontos desde 2023 e pode chegar a 83,6% do PIB até 2026.
Por que o endividamento disparou?
Medidas como a PEC da Transição, reajuste real do salário mínimo e pagamento de precatórios adicionaram cerca de R$ 170 bilhões anuais às despesas. De acordo com dados do Banco Central, só os juros consumiram 7,9% do PIB em 2025, maior patamar em duas décadas.
A Selic elevada também encarece as rolagens de títulos. Cada ponto percentual extra na taxa básica adiciona aproximadamente R$ 100 bilhões por ano à conta de juros, conforme estimativas do Tesouro.
“A dívida está aumentando pelo juro alto, não está aumentando pelo déficit”, afirmou o ministro Fernando Haddad em janeiro.
Riscos e possíveis travas de contenção
Especialistas lembram que o patamar brasileiro já se aproxima dos 95% do PIB quando calculado pelo critério do FMI, acima da média da zona do euro em 2024. Relatório do BID recomenda manter a relação em até 55% para atrair investimentos e reduzir a taxa de juros.

Para evitar esse cenário, economistas defendem um ajuste fiscal de dois pontos do PIB e reformas estruturais: travar crescimento da folha de servidores, rever indexações ao salário mínimo e discutir nova reforma da Previdência. O governo aposta no arcabouço fiscal, mas admite revisões porque a regra de limitar a alta de despesas a 2,5% ao ano não conteve a trajetória ascendente.
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