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terça-feira, março 24, 2026

Dívida de R$15 mil e poço no CE jorra óleo inflamável

Dívida de R$15 mil e poço no CE jorra óleo inflamável

Tabuleiro do Norte (CE) – O sonho de ter água encanada virou tensão para o agricultor Sidrônio Moreira, que viu um líquido escuro, denso e com cheiro de combustível jorrar ao perfurar dois poços artesianos em seu quintal. A descoberta, feita em novembro de 2024, atraiu a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e mantém a família sem água potável enquanto uma dívida bancária de R$ 15 mil cresce com juros.

  • Em resumo: busca por água expôs possível jazida de petróleo, ruídos subterrâneos e risco de contaminação do lençol freático.

Teste caseiro acendeu o alerta

Desconfiado do material que escorria do poço, Sidrônio recolheu uma amostra e ateou fogo; as chamas confirmaram que não era água. Testes laboratoriais do campus do IFCE apontaram propriedades físico-químicas idênticas às jazidas da Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte.

Desde então, cada novo “estrondo” vindo do solo assusta os animais do sítio Santo Estevão e mantém a família longe da área perfurada, aguardando instruções oficiais.

“Quando puxou o óleo, coloquei numa vasilha, cheirei e disse: é óleo mesmo… Água não pega fogo”, relembra o agricultor.

Falta de água, legislação e impacto financeiro

Sem rede de abastecimento, a família depende de adutora e carros-pipa. Segundo o IBGE, 17% dos domicílios rurais do Nordeste ainda não têm acesso regular a água encanada, realidade que obriga moradores a gastar até 10% da renda com compra de água mineral.

A lei do petróleo (Lei nº 9.478/1997) deixa claro que o recurso pertence à União; portanto, mesmo que a jazida seja confirmada, Sidrônio só receberá participação nos lucros se houver concessão oficial a alguma companhia. Enquanto isso, os R$ 15 mil tomados no banco – valor superior a um ano de aposentadoria rural – continuam sem retorno.

Para aliviar o drama hídrico, a prefeitura instala uma nova adutora que promete atender 700 famílias até o fim de março, incluindo a de Sidrônio. O agricultor, porém, não pode perfurar outro poço: técnicos alertam que a camada oleosa pode contaminar o lençol freático caso seja perfurada sem controle.

O que você acha? A família deveria ser indenizada se o petróleo for confirmado? Para acompanhar outras histórias do interior cearense, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://c4noticias.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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