DNA da soja turbinado promete safra imune às ondas de calor
Londrina/PR – Pressionados por sucessivas quebras de safra provocadas pelo clima extremo, cientistas da Embrapa Soja revelaram, recentemente, uma variedade cujo DNA foi editado para resistir a altas temperaturas sem perder produtividade.
- Em resumo: a técnica corta o tempo de melhoramento de 15 para 2 anos e combina resistência ao calor com alto rendimento.
Gene recortado em 48 h muda 15 anos de pesquisa
O processo de edição gênica começa com a seleção de variedades rústicas e produtivas. Em laboratório, o DNA das folhas é exposto com nitrogênio líquido; daí, o gene que confere tolerância à seca é “recortado” e inserido na planta de alto rendimento. Diferente da transgenia, não há material de outras espécies, o que costuma acelerar a aprovação regulatória, segundo o Ministério da Agricultura.
Para o agrônomo Alexandre Nepomuceno, responsável pelo estudo, o salto tecnológico reduz custos em campo e antecipa ganhos em períodos de calor recorde.
“Conseguimos em dois anos o que demandaria mais de uma década nos métodos tradicionais”, explica Nepomuceno.
Impacto direto no bolso do produtor e na balança comercial
Em 2024, o Brasil colheu 154 milhões de toneladas de soja, segundo o IBGE, e exportou cerca de 68 milhões. Porém, cada onda de calor ameaça perdas de até 20%, de acordo com estimativas do setor. A nova cultivar surge como escudo para um mercado que movimentou R$ 364 bilhões no último ciclo.

Além de aumentar a estabilidade da oferta interna de farelo e óleo, a semente resistente reduz a pressão sobre a expansão de terras, já que a produtividade sobe nos mesmos hectares.
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