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Dólar a R$5,16 e petróleo em alta ameaçam corte de juros
Brasília – A nova frente de guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã fechou o Estreito de Ormuz, empurrou o barril de petróleo para além de US$ 82 e elevou o dólar a R$ 5,16, patamar que não se via desde janeiro de 2025. O choque pode obrigar o Banco Central a rever a trajetória de cortes da Selic que o mercado esperava já para este mês.
- Em resumo: inflação mais alta no horizonte reduz espaço para a Selic cair de 15% para 14,5% ao ano.
Por que o conflito vira o jogo para a Selic?
Combustíveis e energia respondem por quase 10% do IPCA, segundo o Banco Central. Sempre que o petróleo dispara, o repasse chega às bombas e contamina fretes, alimentos e até serviços. Nos cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, cada aumento de 10% na gasolina adiciona até 0,25 ponto percentual à inflação anual.
Com o Copom mirando 3% de inflação até setembro de 2027, o temor é que as projeções subam justamente na véspera do ciclo de afrouxamento monetário. Até a semana passada, as curvas de juros precificavam Selic a 12% em 2026 e 10,5% em 2027; hoje já se embutem prêmios mais altos.
“Dependendo da magnitude da pressão do petróleo, o Copom pode até iniciar o corte, mas num ritmo menor, de 0,25 ponto”, alertou Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter.
Combustíveis, energia e o peso no seu bolso
A política de suavização de preços da Petrobras ainda segura o repasse imediato, mas analistas projetam que o diesel – com maior parcela importada – deve subir antes da gasolina. Para a indústria e o agronegócio, o encarecimento do transporte pressiona margens e pode frear o PIB, que já cresce abaixo de 2% ao ano.

Se o câmbio permanecer acima de R$ 5,50, eletrônicos, fertilizantes e medicamentos importados também ficarão mais caros, reforçando a chamada mudança de preços relativos. Historicamente, crises geopolíticas que impactam commodities energéticas levam de seis a 18 meses para se dissipar — a mesma janela que o BC usa para calibrar os juros.
O que você acha? A turbulência deve adiar ainda mais a queda dos juros ou o BC deve manter o plano original? Para mais análises de economia, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação
