Dólar cai a R$5,24 às vésperas da ata do Copom e agita apostas em corte de juros
São Paulo – Na manhã desta terça-feira (3), o dólar voltou a ceder e foi cotado a R$ 5,2415, queda de 0,27% na abertura, enquanto investidores aguardam a publicação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e digerem novos sinais de fraqueza da indústria.
- Em resumo: dólar recua, Ibovespa sobe e mercado especula início do ciclo de cortes na Selic já em março.
Por que a ata do Copom virou peça-chave
A ata, que sai ainda hoje, deve detalhar o debate que manteve a Selic em 15% e, sobretudo, indicar se o Banco Central abrirá caminho para reduções a partir de março. O Boletim Focus do Banco Central já projeta Selic em 12,25% no fim de 2026.
Com juros menores, parte do fluxo estrangeiro tende a migrar para ativos de maior risco, pressionando o câmbio. Mesmo assim, a moeda americana já acumula queda de 4,39% em 2026, após ter recuado 11% no ano passado.
“É a primeira vez desde dezembro de 2024 que a expectativa de inflação para 2026 cai abaixo de 4%”, destaca o último Focus.
Indústria encolhe e reforça clima de cautela
A fraqueza da produção industrial em dezembro — dada fresco que sai hoje — soma-se ao PMI de 47,0 em janeiro, o pior em quatro meses. No PMI, leituras abaixo de 50 indicam retração.
Embora o setor responda por cerca de 21% do PIB, segundo o IBGE, a demanda interna e externa segue fria. Bens de capital, grupo que inclui máquinas e equipamentos, lideraram o tombo, sinalizando menor disposição das empresas para investir.

Nos EUA, o PMI de 52,6 reaqueceu encomendas, mas também elevou custos, aumentando o risco de inflação persistente lá fora — variável que, se confirmada, poderia limitar o espaço para cortes de juros no Brasil.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1
