São Paulo – Pela primeira vez em mais de dois anos, o dólar encerrou a sessão de 13 de abril abaixo de R$ 5, resultado que empurra para baixo custos de importação e impacta diretamente as contas de quem tem dívidas ou viagens atreladas à moeda norte-americana.
- Em resumo: crise no Estreito de Ormuz somada ao fluxo de investidores estrangeiros derrubou a cotação do dólar frente ao real.
Por que a tensão no Oriente Médio pesa no câmbio
A decisão do presidente Donald Trump de bloquear o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20 % do petróleo mundial, acendeu o alerta de desabastecimento e empurrou agentes a buscar ativos fora dos Estados Unidos. O movimento gerou entrada líquida de recursos no Brasil, elevando a oferta de dólares e fortalecendo o real. Segundo o Banco Central, o volume de contratos de swap cambial vendidos nesta semana já supera US$ 10 bi.
Além do fator geopolítico, a perspectiva de retomada das negociações entre EUA e Irã diminuiu a aversão a risco e impulsionou as bolsas de Nova York, repercutindo positivamente por aqui.
“Houve um rearranjo na realocação do capital global, o que fez com que o dólar perdesse força não apenas frente ao real, mas também diante de diversas outras moedas”, destacou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
Diferencial de juros e commodities favorecem o real
Com a Selic estacionada em 10,75 % ao ano, o Brasil continua oferecendo uma das maiores taxas reais de retorno entre emergentes. Esse diferencial, aliado ao rali das commodities – o barril de petróleo segue oscilando perto de US$ 100 – melhora a balança comercial e atrai capital de longo prazo.

Em 2025, a moeda dos EUA já acumulara queda de 11,8 % ante o real, maior recuo desde 2016. Historicamente, cada alta de 1 % nos preços de minério, soja e petróleo acrescenta quase US$ 2 bi às exportações brasileiras, ampliando a oferta de divisas e colaborando para um câmbio mais barato, mostram dados do IPEA.
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