São Paulo – Em entrevista recente ao podcast g1 Ouviu, a rapper Ebony não poupou a cena masculina do rap nacional: chamou atenção para a ausência de performance nos palcos e lembrou que ninguém respondeu à faixa “Espero Que Entendam”, lançada em 2023 com citações irônicas a nomes como L7NNON.
- Em resumo: Artista diz que colegas “foram inteligentes” ao ignorar a provocação e critica shows sem apelo visual.
Provocação sem troco: entenda por que o rap ficou em silêncio
Ebony contou que a canção nasceu como uma “brincadeira” com amigos de cena, mas acabou virando tema de debates sobre diss tracks. Ainda assim, nenhum dos citados respondeu. Para a cantora, o silêncio foi estratégico: “Eles não iam ganhar nada entrando numa treta comigo”, avaliou, em linha com análises de mercado que apontam risco de desgaste de imagem em confrontos públicos, como já ocorreu no embate Kendrick Lamar × Drake, repercutido pela Variety.
A rapper reforçou que, para ela, a liberdade artística está acima de qualquer julgamento moral ou cálculo de popularidade.
“Fiz músicas brincando com artistas homens que eu já conheço. Eles não responderam porque são inteligentes”, disse Ebony.
Falta de espetáculo e o impacto na cena brasileira
Ao criticar “shows de um microfone e um sonho”, a artista toca num ponto sensível do mercado de música ao vivo. Dados do IFPI mostram que a receita mundial de shows cresceu 14,5 % em 2023, mas analistas apontam que a experiência visual é decisiva para converter streamings em ingressos vendidos.
Nesse contexto, Ebony destaca o papel de produções mais elaboradas: luzes, dançarinos e storytelling cênico. Segundo pesquisa da consultoria MIDiA, 61 % dos fãs brasileiros preferem artistas que oferecem “experiência completa” no palco — um diferencial que pode ampliar cachês e contratos de marcas.

Na prática, a rapper coloca essa teoria em ação no recém-lançado álbum “KM2 (De Luxo)”, que traz letras políticas e participação de Black Alien, apontado por ela como “o maior liricista do Brasil”.
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