Entrevista mútua inédita de artistas trans sacode Fortaleza

Entrevista mútua inédita de artistas trans sacode Fortaleza

Fortaleza/CE – No dia 30 de janeiro, às 17h30, a Biblioteca Pública Estadual do Ceará (Bece) abre espaço para que as artistas Layla Sá e Lena Oxa se entrevistarem em público, numa dinâmica que promete virar de cabeça para baixo os formatos convencionais de debate e celebrar o Dia Nacional da Visibilidade Trans.

  • Em resumo: encontro gratuito coloca duas vozes trans em diálogo direto sobre memória urbana, arte e sobrevivência.

Entrevista cruzada rompe formato tradicional

Ao invés de um mediador, quem conduz as perguntas são as próprias convidadas. A troca acontece em meio aos 300 anos de Fortaleza e explora como as vivências nas ruas, margens e zonas de tensão da capital moldam suas criações artísticas. Segundo nota da organização, a proposta “ultrapassa o debate” e convida o público a participar ativamente.

Para o público adolescente, a classificação indicativa de 12 anos reforça o caráter educativo da conversa, que também aborda desejo, corpo e estratégias de sobrevivência. O evento integra a Rede Pública de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult-CE) em parceria com o Instituto Dragão do Mar.

“A atividade propõe reflexões sobre cidade, identidade e produção artística a partir de perspectivas trans”, destaca a curadoria.

Dados escancaram urgência do tema

Embora celebre conquistas, o encontro acontece num cenário ainda marcado pela violência. De acordo com levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), ao menos 135 pessoas trans foram assassinadas no Brasil em 2023, das quais 88% eram negras. O Ceará figura entre os cinco estados com maior incidência.

Especialistas apontam que espaços culturais inclusivos, como a Bece, ajudam a reduzir o isolamento social dessa população. Ao aproximar arte e cidadania, o formato de entrevista mútua amplia vozes historicamente silenciadas e oferece modelos de representatividade para os 22 mil cearenses que se identificam como trans ou não bináries, segundo estimativa do IBGE.

O que você acha? A participação ativa do público pode fortalecer políticas de inclusão cultural? Para acompanhar outras iniciativas no estado, acesse nossa editoria Ceará.


Crédito da imagem: Divulgação / Governo do Estado do Ceará