WASHINGTON - O Departamento do Tesouro norte-americano renovou, na última sexta-feira (17), a autorização que permite a compra e o transporte marítimo de petróleo russo por mais 30 dias, até 16 de maio. A medida visa estancar a alta global dos combustíveis, mas reacende o atrito com parceiros que defendem sanções mais duras contra Moscou.
- Em resumo: Kremlin estima que a decisão libere até 100 milhões de barris extras no mercado.
Por que a Casa Branca recuou?
A pressão sobre os preços aumentou depois que o Irã restringiu o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde circula 20% do petróleo mundial. A administração Biden teme um choque semelhante ao de 2022, quando o barril rompeu US$ 120 e puxou a inflação norte-americana a 9,1%. De acordo com dados do Banco Central, energia responde hoje por quase um quarto do índice de preços ao consumidor dos EUA.
O alívio substitui a licença que expirou em 11 de abril e mantém vetos a transações que envolvam Irã, Cuba e Coreia do Norte.
“Os instrumentos disponíveis para estabilizar os mercados estão perto do limite”, alertou Brett Erickson, da Obsidian Risk Advisors.
Pressão no bolso e na geopolítica
Mesmo temporária, a flexibilização divide o Congresso. Parlamentares democratas e republicanos alegam que Moscou poderá converter a nova receita em material bélico contra a Ucrânia. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que “não é hora de aliviar sanções”.
Segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Rússia produz cerca de 11 milhões de barris por dia – 10% do total mundial. Se a projeção do Kremlin se confirmar, o volume extra cobriria quase um dia da demanda global, oferecendo fôlego momentâneo, mas sem resolver o gargalo logístico em Ormuz.
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