EUA querem retomar Ormuz e escoltar petroleiros; barril em risco
Washington, EUA – Em declaração que eleva a temperatura no Oriente Médio, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos “vão retomar o controle” do Estreito de Ormuz e, se necessário, passarão a escoltar petroleiros na via marítima que escoa boa parte do petróleo mundial.
- Em resumo: Casa Branca fala em comboios navais para garantir fluxo de petróleo e conter disparada de preços.
Como uma faixa de 39 km pode mexer no seu bolso
Segundo estimativas da Energy Information Administration, cerca de 21% do petróleo consumido globalmente, ou 21 milhões de barris por dia, cruzou Ormuz em 2023. Qualquer bloqueio repentino pode adicionar de US$ 5 a US$ 10 ao preço do barril, pressionando combustíveis e, por tabela, o IPCA, de acordo com o Banco Central.
Nesse cenário de instabilidade, exportadores como a Arábia Saudita já redirecionam cargas para portos alternativos no Mar Vermelho, medida que encarece o frete e alonga o tempo de entrega.
“Com o tempo, os EUA vão retomar o controle do Estreito e haverá liberdade de navegação, seja por meio de escoltas dos EUA ou de uma escolta multinacional”, disse Bessent à Fox News.
Pressão militar e sinais mistos de Trump
Embora a equipe econômica aposte na normalização “gradual”, o presidente Donald Trump alterna ameaças e prazos. Em 21 de março ele deu 48 horas para o Irã reabrir totalmente a rota, sob pena de ataques a usinas de energia iranianas – ultimato que se esgotou sem ação concreta.
Enquanto isso, drones lançados por rebeldes houthis do Iêmen foram interceptados por Israel, e terminais em Omã e Kuwait voltaram a registrar explosões no fim de semana. Os incidentes reforçam o temor de que o conflito se espalhe para o Mar Vermelho, ampliando o risco logístico.

Historicamente, momentos de tensão em Ormuz produziram picos de até 15% no preço do petróleo, como ocorreu em 2019, quando outra frota dos EUA entrou na região. Especialistas lembram que a inflação global pós-pandemia ainda está em fase de acomodação e poderia novamente acelerar.
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Crédito da imagem: Divulgação / U.S. Navy via AP
