Europa fecha megaacordo com Índia e mira vácuo deixado pelos EUA
BRUXELAS – Em meio à escalada protecionista norte-americana, a União Europeia avança para ocupar o espaço econômico deixado pelos Estados Unidos e acaba de selar um acordo de livre-comércio com a Índia, criando um mercado potencial de 2 bilhões de consumidores, quase o dobro do Mercosul.
- Em resumo: UE acelera tratados para liderar nova ordem comercial, enquanto Trump ergue barreiras.
Por que o acordo com a Índia é um divisor de águas
Segundo estimativas da Organização Mundial do Comércio, a parceria pode adicionar até US$ 100 bilhões às trocas bilaterais nos próximos cinco anos, diversificando insumos críticos como fármacos e semicondutores.
O pacto também amplia a rede de 76 tratados já assinados pelo bloco, que agora negocia simultaneamente com Malásia, Filipinas e Emirados Árabes, além de pleitear adesão ao Acordo Transpacífico, onde estariam Canadá e Austrália.
“Estamos enviando um forte sinal para o mundo em um momento de fragmentação”, disse Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
Impacto direto nas cadeias de suprimentos e no tabuleiro político
Com as tarifas norte-americanas sobre aço, alumínio e carros elétricos, empresas globais redirecionam rotas logísticas para portos europeus. Dados da Eurostat indicam aumento de 12% nas importações de matérias-primas vindas da Ásia apenas no último trimestre.
A estratégia europeia também é vista como um gesto diplomático: ao priorizar acordos multilaterais em vez da retórica de confrontação, Bruxelas tenta provar que “um mundo sem truculência ainda é possível”, como descrevem analistas do Conselho Europeu de Relações Exteriores.

Além do ganho econômico, especialistas lembram que tratados desse porte costumam incluir cláusulas ambientais e de direitos trabalhistas. Para a Índia, por exemplo, o acesso a tecnologia verde europeia é considerado crucial para cumprir as metas definidas no Acordo de Paris.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters
