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sábado, março 21, 2026

Europeus estudam Exército único para conter Moscou, diz Espanha

Europeus estudam Exército único para conter Moscou, diz Espanha

BRUXELAS – A proposta de unificar as Forças Armadas dos 27 países da União Europeia voltou ao radar diplomático “com urgência” depois da invasão russa à Ucrânia, e a Espanha passou a pressionar oficialmente pelo avanço da ideia na última semana.

  • Em resumo: Madri quer transformar acordos pontuais de defesa em um Exército europeu permanente, capaz de atuar sem depender da OTAN.

Por que o assunto voltou agora?

Nos corredores da Comissão Europeia, diplomatas afirmam que o bloco gasta cerca de €214 bilhões por ano em defesa, mas com pouca coordenação, segundo a Agência Europeia de Defesa. A guerra prolongada no Leste expôs lacunas logísticas, como diferentes calibres de munição e sistemas de comunicação incompatíveis, encarecendo a ajuda militar à Ucrânia.

A Espanha argumenta que um comando único tornaria o continente “menos vulnerável” a Washington e aceleraria a reposição de arsenais esgotados pelos envios a Kiev.

“Gastamos somas astronômicas e ainda dependemos de terceiros para proteger nossos cidadãos”, disse um diplomata espanhol ao jornal El País.

O que mudaria na prática

Hoje, os países participam de iniciativas como a Cooperação Estruturada Permanente (PESCO) e o Fundo Europeu de Defesa, mas continuam soberanos na hora de enviar tropas. O plano de Madri prevê:

• Quartel-general central em Bruxelas;
• Orçamento comum para pesquisa de armamentos;
• Padrão único de treino e equipamento.

Especialistas lembram que, para sair do papel, o projeto precisa de aval unânime – desafio enfrentado desde que a França lançou ideia semelhante em 1954. Além disso, constituições de Alemanha e Itália exigem aprovação parlamentar para missões fora do território nacional, o que pode retardar decisões em crises.

O debate esbarra ainda em questões financeiras: o Banco Central Europeu projeta que cada 1% adicional do PIB destinado à defesa pode custar ao bloco €150 bilhões em dez anos. Sem consenso sobre a fonte dos recursos, países endividados, como Grécia e Itália, pedem compensações.

O que você acha? Unir exércitos fortaleceria ou fragilizaria a segurança europeia? Para acompanhar outras análises sobre geopolitica, acesse nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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