LAS VEGAS/EUA – Encerrado no último fim de semana, o LVL UP EXPO voltou a movimentar a cena de fighting games, mas o brilho das competições foi ofuscado pela presença do logotipo do U.S. Army em painéis, estandes e transmissões oficiais.
- Em resumo: A parceria reacendeu críticas à estratégia de recrutar jovens gamers para as Forças Armadas.
Por que a polêmica voltou à tona
O patrocínio militar em eventos de esports não é novidade: Cloud9, Complexity e KC Pioneers já exibiram fardas nos bastidores. Mesmo assim, parte da comunidade considera essa aproximação “predatória”, direcionada a um público adolescente e, portanto, mais suscetível a narrativas de propósito e carreira. A prática é reforçada por dados de engajamento fornecidos pelas organizadoras, indicando uma audiência majoritariamente masculina e abaixo dos 25 anos – o alvo ideal para campanhas de alistamento.
Segundo o Atlas da Violência 2024, a militarização de espaços civis costuma aumentar a normalização do uso da força como solução para conflitos, o que, na avaliação de especialistas, faz do patrocínio um “soft power” de recrutamento.
“O evento é ótimo, mas ver o Exército usando nosso hobby como vitrine para guerra é 100 × pior que dinheiro saudita”, criticou o jogador @_kenziestar_ no X (26/04/2026).
Efeito dominó: quando a necessidade fala mais alto
Organizadores defendem que o aporte do Exército cobre custos que outros patrocinadores evitam, numa indústria que ainda luta por lucro sustentável. Foi assim que a venda da EVO para investidores sauditas em 2023 se concretizou e que equipes aderiram ao lucrativo Esports World Cup. No fim, a conta de hospedagem, premiação e transmissão precisa ser paga, e poucos cheques são tão altos quanto os do setor militar.
Críticos, porém, argumentam que expor adolescentes a stands interativos com simuladores de combate equivale a levar material de alistamento a escolas públicas, prática já condenada por entidades de direitos civis nos Estados Unidos.
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