LONDRES – Em meio às discussões sobre o regulamento de 2026, a Fórmula 1 admite voltar a motores aspirados, como os icônicos V10, agora alimentados por combustível 100% sustentável, numa guinada que pode redefinir o som e a estratégia das pistas.
- Em resumo: Domenicali quer liberdade para formatos de motor que privilegiem espetáculo sem abandonar a meta de neutralizar carbono.
Por que a F1 quer mexer de novo nos motores?
O pacote híbrido introduzido em 2014 reduziu o consumo em cerca de 30%, mas também elevou custos e silenciou a trilha sonora que tornou célebres os V10 de 18.000 rpm. Agora, com a chegada de Audi e Ford/Red Bull, a categoria avalia que o ecossistema automotivo exige opções mais flexíveis para atrair — e manter — fabricantes.
Combustíveis sintéticos, já homologados para 2026, abririam espaço para blocos maiores, devolvendo potência mecânica e barulho sem agravar emissões. A ideia agrada patrocinadores e emissoras, mas exige consenso técnico até 2025.
“Nosso foco são os fãs. Se perdermos isso, vira apenas um exercício técnico sem relevância”, alertou Stefano Domenicali.
Do barulho dos anos 2000 à era verde: o que muda para o torcedor?
Os V10 foram aposentados em 2005, quando chegavam a 1.000 cv e 140 dB. Com e-fuel, a F1 poderia recuperar esse apelo auditivo mantendo a pegada ambiental. Em 2023, segundo a Anfavea, 34% dos carros produzidos no Brasil já tinham algum nível de eletrificação, sinal de que o público aceita múltiplas soluções tecnológicas.
Na prática, as equipes precisarão redesenhar chassi, arrefecimento e aerodinâmica se o peso da bateria cair e o motor ganhar cilindros. A FIA promete publicar um esboço até dezembro, mas rivais temem escalada de gastos — justamente o que o teto orçamentário tenta evitar.
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