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França limita importações agrícolas com pesticidas proibidos
França limita importações agrícolas com pesticidas proibidos – O governo francês publicou um decreto que bloqueia, por 12 meses, a entrada de frutas e hortaliças tratadas com cinco agrotóxicos vetados pela União Europeia, numa tentativa de acalmar produtores irritados com o possível acordo comercial entre UE e Mercosul.
A restrição começa a valer na quinta-feira (8) e inclui abacate, manga, goiaba, cítricos e batata. A decisão ainda precisa passar por análise da Comissão Europeia, mas poderá ser aplicada de imediato.
Por que a suspensão foi adotada
Segundo o Ministério da Agricultura francês, análises de risco apontaram resíduos de mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil – moléculas banidas no bloco europeu por potenciais efeitos à saúde humana e ao meio ambiente. As regras valem para qualquer país exportador que utilize essas substâncias.
A medida surge em meio a protestos que bloquearam rodovias francesas e à pressão política interna para barrar o tratado com o Mercosul. Agricultores temem perder competitividade caso produtos mais baratos do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai invadam o mercado europeu.
Impacto na América do Sul e próximos passos
A suspensão afeta especialmente fornecedores sul-americanos. Em 2024, o Brasil embarcou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas, 25 % do total rumo à UE, de acordo com dados do IBGE. Parte desse volume poderá ser redirecionada a outros destinos caso Bruxelas confirme a proibição.
Bruxelas tem dez dias para decidir se mantém, estende a todo o bloco ou veta a iniciativa francesa. Enquanto isso, indústrias alimentícias terão de comprovar que seus insumos importados estão livres dos pesticidas proibidos.
Para reduzir a tensão, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um pacote de € 45 bilhões para a Política Agrícola Comum 2028-2034, destinado a modernizar propriedades e compensar eventuais perdas.

No cenário doméstico, o presidente Emmanuel Macron corre risco de enfrentar moção de censura se apoiar o acordo Mercosul. Mesmo assim, o texto pode ser assinado ainda em 12 de janeiro, caso obtenha maioria qualificada no Conselho Europeu.
Em paralelo, organizações brasileiras aguardam orientação oficial. O Ministério da Agricultura e a Abrafrutas não esclareceram se os pesticidas listados pela França são usados nas culturas exportadas.
No fechamento desta reportagem, o mercado seguia monitorando repercussões diplomáticas e possíveis ajustes nas cadeias de fornecimento.
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Crédito da imagem: Reuters/Stephanie Lecocq
