Frete 15% mais barato: Arco Norte revoluciona soja do MT
Cuiabá/MT – No pico da colheita de soja, produtores mato-grossenses correm contra o tempo para embarcar quase um terço da safra nacional. Agora, a prioridade é aproveitar as novas rotas do Arco Norte, que encurtam distâncias e já derrubam o custo do frete em até 15%, segundo o setor.
- Em resumo: Portos acima do paralelo 16 saltaram de 16% para 34% das exportações brasileiras desde 2009.
Por que a mudança de rota faz tanta diferença?
A virada logística tem relação direta com a posição geográfica do Brasil em relação ao mercado asiático. Quanto mais perto dos oceanos Atlântico e Pacífico, menor o tempo de navegação. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o Mato Grosso colheu, em 2024, cerca de 45 milhões de toneladas, volume impossível de escoar apenas pelos portos tradicionais do Sul e Sudeste.
Com estradas ainda dominando 66% do transporte interno, cada quilômetro poupado vira lucro. Empresas investem pesado em silos próprios porque a capacidade de armazenagem no estado cobre apenas 40% da produção, deixando o restante vulnerável a chuvas e variações de preço.
“Entre 2020 e 2024, o Porto de Itaqui dobrou o embarque de soja e milho, saltando de 11 milhões para 20 milhões de toneladas.”
Itaqui vira símbolo da expansão – mas o gargalo continua na estrada
Localizado em São Luís (MA), Itaqui transformou-se no porto-âncora do Arco Norte. O terminal adotou um sistema de agendamento que extinguiu as filas quilométricas de caminhões, relatam motoristas como Walter, veterano das BRs. Ainda assim, buracos, pontes antigas e até chuvas na região amazônica colocam em risco a pontualidade das cargas.

Especialistas lembram que investir apenas nos portos não basta. A Confederação Nacional dos Transportes estima que 59% das rodovias federais do Centro-Oeste têm algum tipo de deficiência. Sem duplicação e pavimentação adequada, cada trecho crítico pode anular a economia alcançada no cais.
O que você acha? A abertura de novas rotas resolve o problema ou o país precisa reestruturar toda a malha viária? Para mais análises sobre economia agro e logística, acesse nossa editoria especializada.
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