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Funcionário russo exilado vence Oscar e desafia Putin
LOS ANGELES (EUA) – Em plena temporada de premiações, o ex-coordenador de eventos escolares Pavel Talankin, 35, transformou um celular clandestino em arma política e acabou erguendo a estatueta de Melhor Documentário no Oscar 2026 com “Mr Nobody Against Putin”.
- Em resumo: Talankin expôs a doutrinação infantil na Rússia e, por segurança, vive hoje em local não revelado na Europa.
Dos Montes Urais ao tapete vermelho
Até 2024, Talankin registrava formaturas em Karabash, uma das cidades mais poluídas do planeta. Com a invasão da Ucrânia, recebeu ordem do Kremlin para filmar atos patrióticos exigidos no novo currículo escolar. Ao perceber que seria um “fiscal de obediência”, decidiu clandestinamente enviar as imagens para o diretor americano David Borenstein, em Copenhague. A obra ganhou força em festivais internacionais e venceu o BAFTA e, agora, o Oscar.
A produção revela soldados do grupo Wagner ensinando crianças a manusear minas e professores reproduzindo o discurso de “desnazificação”. O cineasta convertia cada risco em humor sarcástico, estratégia clássica em regimes autoritários desde a era soviética.
“Eu só queria provar que as pessoas que pensam como eu não estão sozinhas”, disse Talankin após receber o troféu de 3,86 kg.
O impacto além das salas de cinema
Segundo levantamento do Atlas da Violência (IPEA), mais de 200 mil professores russos pediram demissão desde 2022 para evitar envolvimento com material bélico em sala de aula – dado citado no longa. O filme, vazado digitalmente em Karabash, já circula em grupos fechados e inspira novos denunciantes.

Analistas lembram que documentários premiados costumam aumentar a pressão diplomática. Caso semelhante ocorreu em 2009, quando “The Cove” provocou discussões no Parlamento japonês sobre a caça a golfinhos. A mesma visibilidade pode agora recair sobre o aparato de propaganda do Kremlin.
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Crédito da imagem: Divulgação / AFP
